Prefeitura e Ministério Público discutem falta de segurança na região do Terminal Urbano

Por: - 16 de janeiro de 2018
Praça Raposo Tavares concentra usuários do transporte coletivo devido às obras do Terminal / PMM

Nesta terça-feira (16/1), o prefeito em exercício, Edson Scabora (PV), se reúne com o promotor da 6ª Promotoria de Justiça do Ministério Público, Maurício Kalache, para discutir formas de atuação da Prefeitura de Maringá para tratar dos problemas de segurança, em especial na área da Praça Raposo Tavares, que, provisoriamente, se transformou em um terminal urbano de transporte coletivo.

A obra do Terminal Intermodal de Maringá, com previsão de entrega até julho de 2019, tem causado transtornos não só aos passageiros, mas segundo relatos de pessoas que trabalham na região, também há problemas de segurança e redução das vendas no comércio das proximidades.

Entre as reclamações mais frequentes está a insegurança causada por pessoas pedindo dinheiro, além da venda e uso de drogas nos espaços próximos aos pontos de ônibus, principalmente no período da noite –  o que não impede de ser algo recorrente também durante o dia.

Mesmo diante desses problemas, segundo o secretário de Obras Públicas, Marcos Zucoloto, “a obra é complexa e não há condições de ser acelerada”. O andamento da construção está dentro do cronograma, mesmo com as adequações promovidas pela atual administração.

Scabora informa que a prefeitura está ciente da situação de insegurança e ações estão sendo tomadas para proteger a população. Acrescenta que a expectativa é que, com o Terminal funcionando, haverá mais conforto e segurança.

“Não é uma questão fácil e, mesmo a segurança sendo função do Estado, estamos trabalhando para entrosar a Polícia Militar, o Ministério Público e a Prefeitura para minimizar os problemas”, diz o prefeito em exercício.

Comércio relata dificuldades

Leila Fani, que trabalha em uma loja de confecção na Avenida Tamandaré, conta que já houve roubo de mercadoria na loja e com frequência precisa chamar a polícia. “Não dá para fazer nada só com o pessoal da loja Com frequência junta um pessoal usando droga aqui perto. Como a rua está com menos movimento nessa época, tem que ligar para a polícia para aparecer alguém aqui”, diz.

O secretário de Mobilidade Urbana, Gilberto Purpur, informa que constantemente são feitas operações para garantir a segurança da região. “Falta efetivo para a Guarda Municipal e, com as festividades de Natal, muitos foram deslocados para outros pontos. Por isso, ficou sem viatura fixa na praça recentemente, mas agora deve ser retomado”, explica.

Odelir Tavares, que gerencia uma lanchonete próxima ao terminal, alega que além dos problemas de segurança já rotineiros, a dispersão do volume de pessoas acarretou numa queda de mais de 40% nas vendas.

“Agora as pessoas precisam se deslocar mais para pegar o próximo ônibus e não conseguem mais parar. Antes, muitas pessoas conseguiam fazer um lanche esperando pelo próximo ônibus. Agora, quase todo mundo que passa aqui já sai correndo”, afirma.

Tavares também diz que não houve nenhuma conversa entre lojistas e a prefeitura durante o planejamento da obra. Segundo ele, para que alguns pontos de ônibus fossem mantidos próximos ao comércio foi necessária muita insistência. “Além disso, as barracas que foram instaladas na praça contribuíram para a redução do movimento”, diz.

Informado sobre tais reclamações, Edson Scabora diz não concordar com a alegação sobre a queda nas vendas em razão da obra, sendo que os passageiros ainda usam os pontos de ônibus próximos.

“Não pode fazer uma obra com base no comércio. A situação é uma questão de mercado e o povo reclama mesmo. Sobre a questão das barracas, sempre teve isso e são todas cadastradas e licenciadas. Há um aumento substancial no fluxo de pessoas nessa época do ano e talvez os comércios próximos não dessem conta”, responde.

Guarda Municipal será armada

Um dos principais problemas para a atuação do município é que “não há autoridade da Guarda Municipal para abordar as pessoas com vulnerabilidade social”, comenta o prefeito em exercício sobre os problemas de segurança relatados.

A avaliação da prefeitura é que a falta de pessoal e da guarda armada dificulta qualquer ação mais efetiva. Também falta efetivo para uma distribuição mais adequada do pessoal para atender as demandas de Maringá. Atualmente, são 128 guardas municipais, mas devido às condições de escala, são aproximadamente 40 em serviço ao mesmo tempo.

“Tem que ter cuidado e evitar riscos. Um indivíduo tomado pela droga e armado com uma faca, é perigoso ao guarda municipal tentar qualquer ação sem uma arma pesada para combater”, afirma Scabora.

Entre as ações que estão sendo planejadas, haverá o treinamento de 60 agentes na Escola de Formação e Aperfeiçoamento e Especialização de Praças (Esfaep), da Polícia Militar, e avaliação psicológica para o porte de armas de fogo.

O uso de armas de fogo pela Guarda Municipal é uma das promessas de campanha de Ulisses Maia (PDT). Cidades como Londrina e Sarandi já têm guarda com armas letais. Além disso, há a ideia de uma parceria entre a Guarda Municipal e a Polícia Militar, com um agente de cada corporação trabalhando juntos. Tal ação ampliaria o alcance do policiamento.

Terminal é investigado pelo MP

Está em curso uma investigação do Ministério Público do Paraná (MP-PR) sobre a construção do Terminal Intermodal, a partir de um relatório produzido por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal e apresentado em julho de 2017.

De acordo com o relatório da CPI, há diversas irregularidades técnicas no planejamento e na execução do projeto, além da negligência para tentar resolver problemas estruturais e também para realocar o serviço aos passageiros após a demolição do terminal.

O ex-prefeito Carlos Pupin (PP) e outros envolvidos com a administração anterior serão ouvidos pelo MP-PR, bem como a empresa responsável, Consórcio Borelli e Merigo.

As irregularidades resultaram num ônus de mais de R$ 1 milhão, segundo a CPI, e também atraso no andamento das obras. A atual administração informa que está com um processo contra a empresa responsável.

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