Denúncia contra vereadora de Maringá não cita ‘rachadinha’, mas fala em ‘intimidação’ para contribuir mensalmente com partido

A denúncia protocolada pelo ex-assessor da vereadora Professora Ana Lúcia (PDT) na Câmara de Maringá não cita o termo ‘rachadinha’. O gabinete da parlamentar teve acesso ao documento na tarde dessa quarta-feira (6). Conforme a denúncia, endereçada à Presidência do legislativo e protocolada na terça-feira (5), o agora ex-servidor cita ter sido “intimidado” a “contribuir financeiramente, de forma mensal, para o partido político da vereadora, mesmo não sendo filiado”.

Ana Lúcia que, na tarde de quarta, chegou a registrar um boletim de ocorrência por calúnia e difamação contra o ex-assessor na 9ª Subdivisão Policial de Maringá, conversou com a imprensa na manhã desta quinta (7), antes do início da sessão da Câmara.

A vereadora segue negando as acusações tanto de rachadinha quanto de assédio moral. Ela admitiu a existência da contribuição mensal ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), mas afirmou que o pagamento não é obrigatório e só é feito de forma voluntária, se assim o colaborador quiser. Também conforme a parlamentar, o ex-assessor em questão não fazia a contribuição nos primeiros meses após ser nomeado.

“O assessor não falou que eu faço rachadinha no gabinete. O que ele fala aqui é que tinha que contribuir financeiramente, de forma mensal, para o partido político, e é verdade. O meu partido tem uma resolução do diretório municipal, que exige a contribuição dos vereadores e indica que os servidores dos gabinetes devem contribuir, mas não é obrigatório, apenas para os vereadores. Então, é legislação, está tudo legal. Ele contribui, então, com cento e poucos reais para o partido, faz o depósito e, ao fim do ano, a gente faz a prestação de contas, entrega ao TSE, tudo certo. Então, é uma coisa legal. Ele está falando que ele era obrigado a contribuir, mas não era, tanto que ele não contribuiu nos primeiros meses”, disse Ana Lúcia.

Ainda na denúncia, o ex-parlamentar elenca como episódios que poderiam configurar um assédio moral uma suposta exposição a “situações de perseguição, constrangimento e intimidação”. Ele cita um suposto “tratamento desrespeitoso, cobranças abusivas e exposição vexatória, inclusive na presença de terceiros”.

Ana voltou a negar as acusações. Conforme a vereadora, a cobrança dela com os assessores no gabinete é constante, mas feita de forma respeitosa.

“Meu gabinete é um gabinete que tem apenas quatro assessores. É enxuto, mas o conjunto de trabalho é intenso de segunda a segunda. Então, de fato, a minha equipe tem que trabalhar muito, muito. Não tem hora, não tem dia, não tem feriado. E aí, nesse sentido, eu creio que ele julgou que o excesso de exigência que eu faço pode se constituir em assédio, mas jamais. A minha relação com os servidores, com quem eu atendo, com os servidores da casa, é de absoluto respeito. Só que respeito não é condescendência, não é permissão para que a equipe trabalhe menos. Não tem como fazer isso. O meu pessoal trabalha muito, é super competente, e isso não é assédio, isso é exigência do cumprimento das obrigações de um mandato público”, afirmou.

A parlamentar reiterou que buscará a Justiça contra as acusações que, segundo ela, são infundadas.

A Câmara Municipal confirmou oficialmente, por meio de nota oficial divulgada na quarta-feira (6), o recebimento da denúncia. O documento, conforme a Câmara, será encaminhado “aos setores competentes para análise técnica e jurídica”. A Casa de Leis também confirmou que a vereadora “será formalmente comunicada sobre os encaminhamentos cabíveis após a conclusão da análise interna, observados o Regimento Interno desta Casa e a legislação vigente”.

Também por meio de nota, o Partido Democrático Trabalhista (PDT) de Maringá manifestou “total e irrestrito apoio à vereadora Professora Ana Lúcia, diante das recentes e infundadas acusações desferidas contra sua honra e seu mandato”. Conforme a sigla, a parlamentar seria “alvo de uma tentativa clara de desgaste político e assassinato de reputação. As alegações de irregularidades financeiras e assédio moral são absolutamente improcedentes e carecem de qualquer lastro na realidade”.

A reportagem procurou o ex-assessor que, em comunicado oficial, afirmou que as alegações proferidas pela vereadora contra ele “não refletem a realidade dos fatos”. Também conforme ele, “os procedimentos em análise tramitam sob segredo de justiça perante as autoridades competentes, circunstância que, por si só, impede qualquer manifestação pública responsável acerca de seu conteúdo”. Leia a nota do ex-assessor na íntegra abaixo:

“Recebi com preocupação as informações divulgadas por meio de nota oficial atribuída ao gabinete da vereadora Professora Ana Lúcia, bem como sua repercussão em alguns veículos de comunicação.

Esclareço que tais alegações não refletem a realidade dos fatos. Destaco, ainda, que os procedimentos em análise tramitam sob segredo de justiça perante as autoridades competentes, circunstância que, por si só, impede qualquer manifestação pública responsável acerca de seu conteúdo.

Ainda assim, a assessoria da parlamentar tem, de maneira irresponsável e com evidente viés político, disseminado conteúdos que tentam me vincular indevidamente aos fatos, promovendo julgamentos precipitados e exposição indevida da minha imagem.

Reforço que todas as informações e eventuais elementos já foram devidamente encaminhados aos órgãos competentes, que conduzem o caso dentro da legalidade e das garantias processuais.

Apresentei às autoridades competentes fatos vivenciados durante o exercício de meu cargo como assessor parlamentar no gabinete da vereadora Ana Lúcia Rodrigues, os quais merecem a devida apuração, exercendo direito legítimo assegurado pela Constituição Federal, especialmente no que se refere ao dever cívico de representação e à liberdade de expressão e informação.

Ressalto, de forma expressa, que não coaduno com quaisquer práticas ilícitas, repudiando toda e qualquer conduta incompatível com a legalidade, a ética e a moralidade pública.

Diante disso, considero importante que qualquer manifestação pública observe a responsabilidade necessária, especialmente para evitar interpretações equivocadas, exposição indevida ou tentativas de desvalorização da minha imagem profissional.

Não possuo vínculo político na cidade de Maringá, tampouco relação de natureza eleitoral. Minha atuação sempre foi estritamente profissional, com mais de 10 anos de experiência na área da publicidade, pautada pelo respeito, ética e compromisso com o trabalho.

Sigo à disposição para eventuais esclarecimentos, dentro dos limites legais impostos pelo sigilo dos procedimentos, e confio na apuração adequada pelas autoridades competentes.

Por fim, reafirmo meu compromisso com a verdade e com a preservação da minha trajetória profissional.”