“Se juntar as rimas do Marecha com uma viola nascia um Tião” – Artista paranaense conecta referências da moda de viola e hip hop

Luli nasceu em interior paranaense e se interessou por rap na adolescência. Foto: Divulgação / Ber Sardi
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Muitas vezes, a cultura urbana e a vida no interior parecem muito distantes – refletindo também na música. Luli, artista que nasceu no interior paranaense, mostrou no álbum “Café com Pinga” que esses dois mundos podem se encontrar.

O disco conta com referências musicais do rap e da moda de viola. A cantora mostrou também que, além do ritmo, a linguagem entre os dois gêneros tem muito a conversar:

“São músicas que contam histórias, com começo, meio e fim. Falam sobre temáticas profundas. Tem muita moda de viola sobre desigualdades sociais, êxodo rural e mecanização, fora as temáticas comuns de amor. E o rap também tem isso. Tem um lugar na maneira de narrar as histórias, que eu sentia que era muito semelhante”.

Das vivências interioranas à cultura de rua

O anseio de unir rap com música caipira reflete na história de Luli. A artista nasceu em uma comunidade de Poço Azul, interior de Barbosa Ferraz – uma cidade de 11 mil habitantes do Norte do Paraná. Cresceu com uma família de lavradores e pequenos agricultores, ouvindo viola caipira e sertanejo. Além disso, ouvia forró, o xote, o vanerão gaúcho e as marchinhas. 

Na adolescência, conheceu o rap com a indicação de músicas por parentes, e pesquisando mais sobre o gênero na internet. Ao se formar em Artes Ciências pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), incluiu mais referências em sua trajetória. No ambiente universitário, conheceu movimentos estudantis e ampliou a perspectiva de valorização da cultura preta – que muitas vezes é narrada na cultura “de asfalto”, como em cidades grandes, no rap. Passou pela formação marginal de MCs nas praças de rua e participou de batalhas de rima.

Todas essas referências transformam Luli em uma artista autêntica e plural.

Foto: Divulgação / Ber Sardi

“Eu sempre quis aproximar todas as versões de mim mesma em uma coisa só. Às vezes, eu sinto que faço coisas diferentes e migro de ‘bolhas’, de ilhas de comunicação com frequência e queria entender qual é o fio que liga todas essas coisas. E esse fio é contar histórias.”

 

Hoje, ela mora em São Paulo, e busca unir suas vivências interioranas com aprendizados do hip hop em “Café com Pinga”.

“Inconscientemente, eu sempre quis juntar a ‘Luana’ de Barbosa Ferraz, com a Luli, de Londrina e que, agora, também, é de São Paulo.”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O álbum “Café com Pinga” é resultado de um projeto aprovado em 2025 pela Lei Aldir Blanc, por isso, tem apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura do Governo Federal. Este será o segundo álbum da cantora. O primeiro single, chamado “Disparo”, foi lançado em 2021. Em 2024, ela lançou “Pede Agô” com 10 músicas, com letras sobre racismo, gênero, desigualdade e religião. 

Serviço

Lançamento do álbum “Café com Pinga”

Quando: 18 de junho de 2026 

Perfil no Instagram: @lulinavoz: 

Pré-save nas plataformas digitais: https://sym.ffm.to/cafecompinga