Para além do mito do ‘Eldorado’: Ponto a Ponto encerra outubro com diagnósticos sobre a realidade política e social de Maringá

Dos números das urnas em 2026 às origens agro imobiliárias da cidade e às pressões sobre a educação básica, podcast do Maringá Post discute os custos e os desafios reais que sustentam os índices do município
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
Tempo de leitura: 3 min

No ar semanalmente há mais de um ano, o podcast Ponto a Ponto, do portal Maringá Post apresentado pelo jornalista Ronaldo Nezo e gravado no VMark Estúdio, dedicou o mês de outubro a temas que atravessam a vida pública, as instituições e o dia a dia da população no Paraná. Os resultados aparecem nos números da audiência nas redes sociais: mais de 200 mil visualizações com os conteúdos diários presentes no site, no Youtube, Instagram, Facebook, Tik Tok e Spotify.

Em um formato que privilegia a conversa aprofundada, o podcast abriu o mês acompanhando os desdobramentos das eleições e seguiu com rodadas temáticas sobre formação docente, o modelo cooperativo de crédito e a história real de Maringá.

A programação de outubro refletiu o compromisso do projeto com a análise técnica e o registro dos bastidores de decisões que impactam a região, servindo de base para o calendário que segue em novembro com novas estreias aos domingos.

O olhar sobre as urnas e os rumos institucionais

A cobertura de outubro começou no primeiro domingo do mês, dia 4, com uma transmissão ao vivo de mais de cinco horas dedicada à apuração das Eleições 2026. A bancada especial reuniu o jornalista e cientista social Gilson Aguiar e o professor e historiador Reginaldo Dias (UEM), que analisaram as parciais e o comportamento do eleitorado em tempo real.

Logo na abertura da transmissão, o prefeito de Maringá, Silvio Barros, abordou a importância de uma bancada parlamentar ativa para garantir repasses orçamentários a projetos locais, alertando para o desgaste da radicalização política na administração pública.

Na sequência, o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (ACIM), José Carlos Barbieri, reforçou a atuação do setor produtivo no custeio de pré-projetos para obras estruturantes — como o rebaixamento da linha férrea e intervenções no Contorno Sul —, além de debater as repercussões da reforma tributária e a atualização contínua do planejamento de longo prazo da cidade.

Ao longo da live, os analistas discutiram a composição partidária, os desafios da representatividade regional e a necessidade de manter o acompanhamento crítico das propostas após o término das campanhas.

Desafios escolares e a rotina da sala de aula

Dando sequência aos episódios regulares gravados em estúdio, o programa recebeu o professor Djalma da Rocha Martins, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Noroeste do Paraná (Sinepe/NOPR). A pauta central foi o cenário de transformações na educação básica.

Djalma detalhou as razões do avanço da escassez de novos docentes no país, relacionando a baixa procura por licenciaturas à perda de prestígio e ao aumento das cobranças sobre o ambiente escolar. O dirigente escolar também comentou as diretrizes para a restrição de celulares entre os estudantes, a responsabilidade compartilhada entre família e escola na formação de limites e os cuidados técnicos necessários para assegurar a inclusão efetiva de alunos neurodivergentes sem sobrecarregar a rotina pedagógica.

O modelo cooperativo frente às transformações financeiras

No terceiro domingo do mês, a economia e o associativismo pautaram a conversa com Wellington Ferreira, presidente do Sicredi Dexis. Com 40 anos de história construídos a partir de produtores rurais ligados à Cocamar, a instituição foi tema de uma análise sobre a expansão do crédito cooperativo no meio urbano e empresarial.

Ferreira explicou a engrenagem estatutária que torna o associado dono do negócio — com direito a voto e participação na distribuição de sobras — e defendeu a manutenção de agências físicas como centros de consultoria e relacionamento, na contramão do fechamento de postos de atendimento bancário. O presidente também orientou os ouvintes sobre a cautela necessária diante de promessas de retornos fora da realidade em plataformas digitais não reguladas.

A memória de Maringá e o resgate documental

Fechando o calendário de outubro, o escritor e pesquisador Miguel Fernando, criador do Maringá Histórica e diretor da plataforma Cidades Históricas, discutiu a formação urbana do município longe de leituras romantizadas.

Com base em pesquisas em acervos, Miguel explicou a concepção de Maringá como um arrojado empreendimento imobiliário da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, contextualizando os impactos do planejamento modernista tanto na qualidade de vida quanto na valorização do metro quadrado. O historiador ressaltou ainda o papel das memórias de trabalhadores da zona rural e de pioneiros anônimos na composição da identidade local, defendendo o uso das mídias digitais como repositório aberto de fontes históricas.

Agenda cheia em novembro

Com os conteúdos disponíveis na íntegra no canal do Maringá Post no YouTube e em matérias especiais no portal, o Ponto a Ponto mantém sua rotina semanal de lançamentos.

O mês de novembro chega com uma nova série de convidados e temas voltados a negócios, comunicação, políticas públicas e iniciativas que movimentam Maringá e o Paraná.

Já neste próximo domingo, dia 1°, o convidado é o jornalista Valério Pereira, diretor do VMark Estúdio. Ele vai falar sobre a importância do investimento em conteúdos digitais para fortalecimento das marcas, além de outros temas.