O primeiro imóvel residencial construído em Maringá permanece de pé, embora deteriorado pela ação do tempo. Agora, a Universidade Estadual de Maringá (UEM) quer restaurar a histórica residência de madeira que está instalada dentro do campus sede da instituição e já sabe até quanto precisará captar para tirar o projeto do papel: R$ 3 milhões.
Na última semana, a Diretoria de Cultura da Universidade concluiu a elaboração dos projetos arquitetônicos e estruturais para o restauro da casa e, agora, busca viabilizar os recursos necessários para licitar a iniciativa.
A residência de madeira, que fica localizada ao lado da sede da reitoria, foi de propriedade de Alfredo Nyffeller e construída em 1946, na Avenida Brasil, quando Maringá ainda nem era, oficialmente, um município. Nyffeller era gerente da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná (CMNP), empresa que tinha sede há poucos metros dali, no cruzamento das atuais Duque de Caxias e Joubert de Carvalho e foi responsável pelos loteamentos urbanos da Cidade Canção.
O imóvel foi doado à UEM na década de 1980, sendo desmontado da Brasil e remontado, preservando as suas características originais, dentro do campus para servir de sede do Museu Bacia do Paraná, inaugurado em 1984. Tombada como Patrimônio Histórico de Maringá em 2016, a residência permanece fechada desde então por problemas estruturais, com as exposições do Museu que ficavam ali sendo distribuídas em outros espaços da Universidade.
De acordo com o diretor de Cultura da UEM, André Rosa, a intenção é transformar a residência restaurada em uma casa-galeria, capaz de receber exposições de arte, cultura e ciência, além de encontros, saraus e ações educativas. A estrutura complementar deverá oferecer melhores condições para a conservação, a consulta e o estudo das coleções.
“Vejo essa iniciativa como a retomada de um equipamento cultural e científico de grande importância para a nossa Universidade”, afirma o diretor.
Para tirar a iniciativa do papel, o próprio diretor articula a captação de recursos via emendas parlamentares e editais abertos pelo Governo do Paraná. O projeto ainda não tem data para sair do papel.
Restaurar imóvel de madeira, tombado historicamente, requer cuidados
A principal intervenção prevista é a elevação da casa para permitir a construção de um pavimento inferior. De acordo com o professor Ricardo Dias Silva, dos cursos de Arquitetura e Urbanismo da UEM e coordenador do Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos, a solução busca enfrentar um dos problemas mais persistentes da edificação: a umidade proveniente do solo, agravada pela baixa altura da estrutura.
“Estamos falando de um imóvel que foi remontado aqui na década de 1980 e que, na ocasião, foi colocado muito próximo ao solo, não sabemos o motivo. Com o decorrer dos anos, a madeira absorveu a umidade do solo e acelerou o processo de degradação. O que precisa ser feito é uma elevação da casa, para que não fique tão em contato com o solo absorvendo umidade. Isso pode, inclusive, aumentar a área útil do Museu para construirmos um subsolo”, disse.












