Finados: ‘Luto não é doença’ – diz psicólogo maringaense

Com a proximidade de Finados, o psicólogo e especialista Jose Valdeci Grigoleto Netto (Zeca) explica que o luto não é uma doença, mas um processo de altos e baixos que exige acolhimento e adaptação
o psicólogo e especialista Jose Valdeci Grigoleto Netto (Zeca)
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O que é realmente o luto? Uma enfermidade a ser curada, um estado passageiro ou uma etapa inevitável da existência? Onde existe vínculo afetivo, a ruptura traz dor — e aprender a ressignificar essa ausência é o caminho para a retomada da vida. Com a proximidade do Dia de Finados, comemorado na segunda-feira (2), a saudade tende a se intensificar, reabrindo feridas e trazendo à tona sentimentos que exigem acolhimento.

Para esclarecer os mitos sobre o tema e orientar quem atravessa esse momento delicado, o Maringá Post conversou com o psicólogo clínico, professor universitário e pesquisador Jose Valdeci Grigoleto Netto (conhecido como Zeca). Especialista em luto pela PUC-SP, autor de livros e docente do Centro Universitário Cidade Verde (Unicive), Zeca coordena o Grupo de Acolhimento para Pessoas Enlutadas, projeto gratuito e aberto à comunidade.

Luto não é doença, mas exige atenção

Diante do peso emocional que a data traz, o especialista reforça que o luto deve ser compreendido sob a perspectiva da psicologia moderna: não como uma patologia, mas como uma resposta natural da condição humana diante da perda. “O luto é uma experiência que todas as pessoas irão vivenciar em suas vidas, em vários momentos. Algumas conseguirão atravessar esse período difícil sem a necessidade de auxílio profissional, enquanto outras precisarão de cuidados profissionais, como psicoterapia ou cuidados psiquiátricos. Os fatores para isso são diversos: a causa da morte, quem é a pessoa enlutada e se ela possui uma rede de apoio. O luto, em si, não deve ser encarado como uma doença, mas sim como um processo que exige adaptação a uma nova realidade sem a pessoa querida que se foi”, explica o psicólogo.

O tempo não cura tudo

O senso comum frequentemente tenta enquadrar o luto em etapas rígidas ou na promessa de esquecimento pelo simples passar do tempo. Para Zeca, compreender a imprevisibilidade dos sentimentos é o primeiro passo para vivenciar o processo de forma saudável. “Luto não é composto por fases. É importante que as pessoas saibam que é um processo de altos e baixos, e que haverá dias em que estaremos bem e outros em que a saudade irá apertar. O mais importante é acolher sua dor, senti-la e buscar ajuda quando perceber que está difícil lidar com ela sozinho. Ter amigos, familiares e saber buscar serviços de saúde, como Unidades Básicas de Saúde, clínicas-escola de psicologia e psicólogos particulares, são estratégias importantes e efetivas.”

O Dia de Finados

Datas comemorativas e marcos de memória costumam agir como gatilhos emocionais. O psicólogo orienta que o choro e a tristeza não devem ser reprimidos no Dia de Finados, mas encarados como manifestações legítimas do afeto construído. “O Dia de Finados pode ser sensível para muitas pessoas enlutadas. A saudade pode aumentar, o choro aparecer, assim como a tristeza. É importante reconhecer que essas são reações comuns e que fazem parte da vida. O luto não é linear; então, há dias em que a saudade vai apertar e está tudo bem. A tristeza pode fazer visita, só não pode fazer morada”, destaca Jose Valdeci.

Apoio gratuito e especializado em Maringá

Para oferecer suporte científico e humano à comunidade, o Unicive promove a 2ª edição do Grupo de Acolhimento para Pessoas Enlutadas. O projeto funciona como um espaço seguro e gratuito onde a troca de experiências entre pessoas que vivenciam perdas semelhantes auxilia na reorganização da rotina diária.

Idealizada e supervisionada pelo professor Zeca, a iniciativa é aberta a qualquer morador de Maringá e região que esteja enfrentando o processo de luto e sinta a necessidade de suporte profissional e comunitário.

Serviço – Grupo de Acolhimento para Pessoas Enlutadas (Unicive) –Gratuito e aberto à comunidade – Informações e Inscrições: Junto ao Centro Universitário Cidade Verde (Unicive)