Volkswagen registra prejuízo de 5,8 bilhões de euros

Baixa contábil ligada à Porsche, concorrência chinesa e tarifas dos EUA pressionam resultados da montadora alemã
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A Volkswagen registrou um dos piores resultados trimestrais de sua história recente. Entre julho e setembro de 2026, a montadora alemã teve prejuízo líquido de 5,82 bilhões de euros, enquanto o resultado operacional ficou negativo em 5,86 bilhões de euros.

O resultado operacional considera as receitas e despesas da atividade empresarial. Já o resultado líquido inclui outros efeitos financeiros e contábeis.

Segundo os dados divulgados pela companhia nesta quinta-feira (29), a receita de vendas caiu 6,3% no terceiro trimestre, para 75,3 bilhões de euros.

O principal impacto extraordinário veio de uma redução contábil de aproximadamente 6,4 bilhões de euros no valor associado à participação da Volkswagen na Porsche, marca de carros de luxo do grupo.

Essa baixa contábil não representa, necessariamente, uma saída de dinheiro no mesmo valor. Ela reflete a revisão do valor atribuído ao negócio.

Concorrência e custos pressionam resultados

A companhia também enfrenta dificuldades no mercado chinês, onde fabricantes locais ampliaram a concorrência e pressionaram os preços.

Nos Estados Unidos, as tarifas comerciais aumentam os custos. Na Europa, a transição para veículos elétricos exige investimentos elevados, enquanto esses modelos ainda proporcionam margens menores que os veículos a combustão.

O resultado dos nove primeiros meses também preocupa. Entre janeiro e setembro, o resultado operacional acumulado foi de apenas 71 milhões de euros, contra 5,4 bilhões de euros no mesmo período de 2025.

A Volkswagen vendeu aproximadamente 5,9 milhões de veículos nos nove primeiros meses, queda de 10,6% em relação ao ano anterior.

Reestruturação e cortes

Diante das dificuldades, a empresa prepara uma ampla reestruturação, com redução de custos e mudanças em suas operações.

O plano prevê a possibilidade de eliminar até 100 mil postos de trabalho em todo o grupo e fechar até quatro fábricas na Alemanha, medidas que enfrentam resistência dos sindicatos.

Para 2026, a Volkswagen projeta uma margem operacional de, no máximo, 1%, indicando que a recuperação da rentabilidade continua sendo um desafio.