A Bolsa brasileira enfrentou uma das sessões mais turbulentas dos últimos anos nesta segunda-feira (26). O Ibovespa chegou a cair mais de 17%, enquanto ações de grandes empresas registraram desvalorizações próximas de 50%. A intensidade do movimento levou a B3 a interromper temporariamente as negociações.
A turbulência ocorreu no primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (25), quando o presidente venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
O resultado eleitoral contrariou as expectativas de parte dos investidores e provocou uma revisão das posições no mercado financeiro.
O circuit breaker
Às 9h57, a B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que suspende temporariamente as negociações quando o Ibovespa atinge determinado limite de queda. A interrupção inicial foi de 30 minutos.
O índice chegou a recuar 17,22% por volta das 11h30, aos 169.769 pontos, segundo cotações divulgadas durante o pregão. Na sexta-feira (23), havia encerrado a sessão aos 205.088 pontos.
Às 13h42, o Ibovespa ainda registrava queda de 15,80%, aos 172.676 pontos. Os números mostram a dimensão das perdas, mas não representam o resultado definitivo do dia.
Ações despencam
Entre as empresas mais afetadas estavam companhias dos setores de varejo, construção civil e serviços financeiros.
Por volta das 11h, as ações do Magazine Luiza recuavam aproximadamente 48%, enquanto os papéis do Assaí apresentavam perda semelhante.
No setor imobiliário, a Cyrela registrava queda de cerca de 43%, e a MRV recuava aproximadamente 40%.
Outras empresas também sofreram perdas expressivas. Ações da Vamos chegaram a cair mais de 50%, enquanto C&A e Cosan registraram desvalorizações próximas desse patamar em determinados momentos.
Dólar e juros sob pressão
O dólar também disparou. Durante a manhã, a moeda a americana chegou a R$ 5,60, com alta superior a 12% em determinado momento.
Às 13h42, o dólar registrava valorização de 8,72%, cotado a R$ 5,425.
Os juros futuros, contratos utilizados pelo mercado para negociar expectativas sobre as taxas de juros, também apresentaram forte elevação. A movimentação aumenta o custo de financiamento para empresas e consumidores.
Por que algumas ações caíram mais?
Empresas de varejo dependem, em diferentes graus, do consumo das famílias e do crédito. Quando os juros futuros sobem, aumentam as preocupações com o custo de financiamento, as despesas financeiras e a capacidade de compra dos consumidores.
Na construção civil, taxas mais elevadas podem encarecer o financiamento imobiliário e dificultar a aquisição de imóveis.
Em contrapartida, empresas exportadoras registraram ganhos durante parte do pregão. A valorização do dólar pode favorecer companhias que recebem receitas em moeda estrangeira, embora o efeito varie conforme os custos e as operações de cada empresa.
O mercado após a eleição
A reação financeira foi associada à mudança das expectativas dos investidores após o resultado eleitoral. Parte do mercado havia apostado em uma vitória de Flávio Bolsonaro e em alterações na condução da política econômica.
Com a reeleição de Lula, os investidores passaram a reavaliar suas posições, especialmente diante das preocupações com a política fiscal, os gastos públicos e a trajetória da dívida brasileira.
A intensidade e a duração dos movimentos dependerão da evolução das expectativas econômicas e das sinalizações do governo sobre as contas públicas.
















