Como um lorde escocês comprou 6% do território do Paraná e planejou a fundação de 63 cidades

No podcast Ponto a Ponto, Miguel Fernando detalha os bastidores da pesquisa internacional que resgatou a história da maior colonizadora agro imobiliária da América do Sul.
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
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Maringá — A ocupação do norte e noroeste do Paraná não ocorreu por acaso nem por avanços espontâneos de desbravadores isolados. O processo seguiu um planejamento corporativo minucioso desenhado a partir da Grã-Bretanha na década de 1920. No podcast Ponto a Ponto, do portal Maringá Post, o pesquisador e documentarista Miguel Fernando revelou os bastidores históricos que deram origem à Companhia Melhoramentos Norte do Paraná.

A pesquisa gerou o documentário A Epopeia em Terras Roxas, produzido de forma independente por sua equipe. Para a investigação, Miguel viajou até a Escócia para entrevistar os herdeiros diretos de Simon Joseph Fraser, o Lord Lovat.

“Lord Lovat era uma figura com trânsito político e visão jurídica excepcional. Ele tentou antes uma operação algodoeira no Sudão que não deu certo. Depois de passar pela África do Sul, veio ao Brasil e percebeu que as terras paulistas já estavam saturadas pelo café. Havia uma barreira geográfica natural, mas logo ao lado estava o norte do Paraná, uma terra de fertilidade rara sem estradas ou ferrovias”, explicou o historiador.

Dois braços britânicos e 550 mil alqueires

Por meio de negociações complexas com governos e organizações empresariais brasileiras, Lovat estruturou uma holding em Londres, a Paraná Plantations, e estabeleceu duas subsidiárias estratégicas em território nacional.

A primeira era a Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, encarregada de estender os trilhos até a nova fronteira agrícola para escoar safras e transportar levas de colonos. A segunda era a Companhia de Terras Norte do Paraná, que controlava cerca de 550 mil alqueires paulistas — equivalentes a 6% de toda a área do estado.

“A ferrovia escoava a produção e trazia trabalhadores. A Companhia de Terras loteava o campo, abria clareiras e estruturava cidades. Lovat faleceu em 1933 sem ver esse legado consolidado no auge. Em 1944, a empresa passou para as mãos de acionistas brasileiros, e a ferrovia foi incorporada pelo governo federal”, detalhou Miguel.

A dimensão do empreendimento não encontra precedentes no país: “Hoje loteadores comemoram dez ou quinze empreendimentos. A Companhia fundou 63 cidades. Foi, muito provavelmente, a maior empresa agro imobiliária da história da América do Sul”, destacou Fernando.

Serviço

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.