A retirada das casas de apostas dos uniformes do futebol brasileiro obrigou os clubes a procurarem alternativas para ocupar um dos espaços mais valorizados do mercado esportivo. De acordo com levantamento divulgado pela consultoria Convocados, em 2025, os patrocínios de casas de apostas aos clubes da Série A movimentaram aproximadamente R$ 1,03 bilhão.
Com um volume bilionário impedido de ingressar no caixa dos clubes, a partir do início de outubro, as equipes passaram a adotar acordos pontuais para divulgar outras marcas ou dar visibilidade aos próprios programas de sócio-torcedor.
A mudança ocorreu após a Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro de 2026, proibir a exploração e a publicidade das apostas de quota fixa no Brasil. A determinação atingiu contratos de patrocínio e obrigou os clubes a retirarem as marcas dos uniformes e de outros espaços publicitários.
Corinthians aposta em empresa de tecnologia
O Corinthians entrou em campo com a marca Jota.ai, plataforma de inteligência artificial voltada a serviços financeiros, no espaço principal da camisa. O acordo foi apresentado como uma alternativa temporária enquanto o clube acompanha os desdobramentos da situação regulatória.
São Paulo e Fluminense adotaram outra estratégia. Os dois passaram a exibir a Superscore, plataforma de estatísticas e informações esportivas que pertence ao mesmo grupo econômico da Superbet, antiga patrocinadora das equipes.
A solução permite manter uma marca relacionada ao grupo empresarial, mas sem divulgar diretamente a operação de apostas.
Botafogo e Vasco promovem os torcedores
Botafogo e Vasco aproveitaram a mudança para divulgar os programas de sócio-torcedor. O Botafogo destacou o Camisa 7, enquanto o Vasco promoveu o Sócio Gigante.
O Internacional, que não tinha uma casa de apostas como patrocinadora principal, fechou um acordo pontual com a Shopee para uma partida. Já o Santos utilizou o espaço principal da camisa para divulgar o Instituto Leão do Mar, ligado a iniciativas de impacto socioambiental.
Outros clubes, como Palmeiras, Atlético-MG, Cruzeiro, Vitória e Grêmio, disputaram partidas sem uma marca na área principal do uniforme.
E a Lubrax no Flamengo?
A volta da Lubrax ao uniforme do Flamengo também chamou a atenção, mas é necessário fazer uma distinção. O acordo foi anunciado em julho, antes da proibição das apostas, e prevê a presença da marca na parte superior das costas da camisa a partir de outubro.
Na primeira rodada após a retirada das marcas de apostas, o Flamengo chegou a estampar a frase “Proibir não é proteger” no espaço principal da camisa, em manifestação contra a medida.











