Uma em cada oito ocorrências de câncer no mundo está relacionada a infecções provocadas por determinados vírus, bactérias e outros agentes infecciosos. A estimativa faz parte de um estudo publicado em setembro de 2026 na revista científica The Lancet Oncology, com participação de pesquisadores da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS).
O levantamento estima que 2,3 milhões de novos casos de câncer registrados mundialmente entre 2024/2025 tiveram relação com infecções. O número corresponde a aproximadamente 12% dos diagnósticos no período pesquisado.
Entre os principais agentes identificados está a bactéria Helicobacter pylori, conhecida como H. pylori, associada ao câncer de estômago. O estudo estima que ela esteve relacionada a cerca de 760 mil casos.
Outro destaque é o papilomavírus humano, o HPV, associado a aproximadamente 750 mil casos. O vírus é responsável pela maioria dos casos de câncer do colo do útero e também pode provocar tumores em outras partes do corpo.
Os vírus das hepatites B e C também merecem atenção. Quando provocam infecções persistentes, podem causar danos ao fígado e aumentar o risco de câncer nesse órgão.
Infecção não significa diagnóstico de câncer
Os números não significam que qualquer infecção possa provocar câncer. A relação depende do agente infeccioso, da duração da infecção e de outros fatores individuais. Mesmo entre pessoas infectadas por agentes reconhecidamente cancerígenos, o desenvolvimento de um tumor não é inevitável.
A pesquisa destaca que parte desses casos pode ser evitada por meio de medidas de prevenção já conhecidas pela medicina.
A vacinação contra o HPV e a hepatite B reduz o risco de infecções associadas a determinados tipos de câncer. O diagnóstico e o tratamento da H. pylori, quando indicados, também podem diminuir o risco de câncer de estômago. No caso das hepatites, identificar e tratar a infecção ajuda a prevenir complicações graves.
O rastreamento do câncer do colo do útero também é importante, porque permite identificar alterações que podem ser tratadas antes de evoluírem para a doença.











