O mercado de carros usados começa a mostrar uma mudança importante em 2026.
Os preços continuam subindo, mas em ritmo bem menor. O IBV Auto, índice do banco BV que acompanha os preços dos automóveis leves usados no Brasil, registrou alta de apenas 0,36% entre julho e setembro.
Foi o menor avanço trimestral desde o primeiro trimestre de 2025. No segundo trimestre deste ano, a alta havia sido de 1,27%. No terceiro trimestre de 2025, o aumento havia chegado a 2,04%.
A diferença mostra que o mercado perdeu velocidade.
Alta menor não significa carro mais barato
É importante separar duas situações.
Os carros usados não tiveram uma queda geral de preços no terceiro trimestre. O que aconteceu foi uma redução no ritmo de valorização.
No acumulado de janeiro a setembro, o IBV Auto registra alta de 3,86% em 2026, contra 4,05% no mesmo período de 2025. Em 12 meses, a alta está em 5,12%.
Em setembro, especificamente, o índice subiu 0,30%, depois de ter recuado 0,01% em agosto.
O que está segurando os preços?
Segundo a análise do banco BV, dois fatores ganharam importância.
O primeiro é a atividade econômica mais moderada, que reduz a pressão sobre os preços.
O segundo é a maior concorrência dos carros novos, especialmente com a presença crescente de novas marcas e modelos no mercado brasileiro.
Quando o carro novo fica mais competitivo, o vendedor de um seminovo precisa ajustar sua expectativa de preço para conseguir competir.
O crédito também pesa.
Os juros elevados dificultam o financiamento e reduzem a capacidade de compra de parte dos consumidores, o que contribui para diminuir a pressão sobre os preços dos usados.
Alguns carros ainda estão subindo
A desaceleração não acontece da mesma maneira em todos os modelos.
Em setembro, entre os veículos que mais contribuíram para a alta do índice estavam o Renault Sandero, com aumento de 1,88%, o Volkswagen Gol, com 1,51%, e o Hyundai Creta, com 1,39%.
Na direção contrária, alguns modelos registraram queda.
A Toyota Hilux SW4 recuou 1,60%, o Honda HR-V caiu 1,19% e o Volkswagen Polo teve redução de 0,97%.
Ou seja: olhar apenas para a média do mercado pode esconder diferenças importantes entre modelos.
E os carros elétricos?
O mercado de usados também começa a revelar uma diferença significativa entre os tipos de motorização.
Segundo levantamento divulgado pela AutoData com base no IBV Auto, os elétricos lançados em 2023 acumulavam até setembro uma desvalorização próxima de 47%.
Entre os híbridos, a perda chegava a 27,9%, enquanto modelos equivalentes com motor a combustão registravam desvalorização de 22,2%.
Isso mostra que a discussão sobre preço de usado não pode mais ser feita apenas pelo ano e pelo modelo. O tipo de motorização também passou a pesar na revenda.
É uma boa hora para comprar?
Os números não permitem afirmar que este seja, automaticamente, o melhor momento para comprar um carro.
Mas existe uma mudança relevante para o consumidor.
Depois de um período de fortes valorizações, o mercado de usados entrou em uma fase de maior estabilidade.
Para quem compra, isso significa que a pressão de aumentos rápidos diminuiu.
Para quem vende, significa que já não é tão fácil simplesmente aumentar o preço do veículo esperando que o mercado acompanhe.
E para quem pretende financiar, os juros continuam sendo um fator decisivo.
O mercado entrou em outra fase
O comportamento dos últimos meses sugere uma mudança na dinâmica do mercado brasileiro de usados.
Em vez de uma valorização acelerada, os preços caminham para um cenário de reajustes mais moderados.
A concorrência dos veículos novos, o crédito mais caro e uma demanda menos aquecida ajudam a explicar esse movimento.
O carro usado, portanto, ainda está mais caro do que estava há um ano.
Mas a velocidade desse aumento caiu significativamente.
Para o consumidor, talvez essa seja a principal notícia: o mercado finalmente começa a dar mais espaço para negociar.












