Direita avança e esquerda perde espaço no Congresso

PL terá a maior bancada da Câmara e do Senado desde a redemocratização
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As eleições de 2026 produziram uma mudança importante na correlação de forças do Congresso Nacional. A direita ampliou seu espaço, enquanto partidos identificados com a esquerda passaram a enfrentar uma bancada adversária mais numerosa e organizada.

O principal símbolo dessa mudança é o PL.

O partido elegeu 121 deputados federais, contra 97 em 2022. São 24 cadeiras a mais e a maior bancada individual da Câmara para a próxima legislatura.

No Senado, o avanço foi ainda maior.

O PL elegeu 19 dos 54 senadores escolhidos em 2026 e deverá começar 2027 com 28 senadores. Será a maior bancada de um único partido no início de uma legislatura do Senado desde a Constituição de 1988.

O recorde anterior pertencia ao então PMDB, que começou a legislatura de 1999 com 27 senadores.

A esquerda não desapareceu

Os números exigem cuidado antes de se falar em uma derrota completa da esquerda.

A federação PT-PCdoB-PV, que reúne as principais siglas da esquerda na Câmara, elegeu 88 deputados em 2026.

Em 2022, foram 82.

Ou seja, a federação cresceu seis cadeiras.

O que mudou foi o tamanho da distância para o PL.

Em 2022, o PL havia eleito 99 deputados. Em 2026, chegou a 121.

A diferença entre as duas maiores bancadas passou de 17 para 33 deputados.

Isso ajuda a explicar por que o resultado é interpretado como um avanço significativo da direita, mesmo com o crescimento da principal federação de esquerda.

O Senado é onde a mudança fica mais evidente

No Senado, o contraste é ainda maior.

O PL deverá ter 28 senadores a partir de 2027.

O PT terá nove.

MDB, oito.

A diferença entre PL e PT será, portanto, de 19 senadores.

O resultado também reduziu o espaço de outras forças.

O PSD, que começou a atual legislatura com 15 senadores, deverá chegar a 2027 com cinco, segundo a projeção da Agência Senado.

A composição final, entretanto, ainda poderá sofrer alterações até a posse, porque senadores podem mudar de partido, assumir ministérios ou deixar o cargo para disputar o segundo turno de governos estaduais.

2018, 2022 e 2026

A comparação com as últimas eleições mostra como o Congresso mudou rapidamente.

Em 2018, o PT elegeu 54 deputados. O então PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro foi eleito presidente naquele ano, elegeu 52.

Foi uma das maiores rupturas na composição da Câmara desde a redemocratização.

Em 2022, o PL tornou-se a maior bancada eleita, com 99 deputados.

Agora, em 2026, o partido chegou a 121.

A diferença é que o PL também conquistou uma posição inédita no Senado: 28 integrantes projetados para o início de 2027.

O que mudou em quatro anos

O resultado de 2026 não pode ser resumido apenas a uma disputa entre PT e PL.

O Congresso continua tendo partidos de centro com grande capacidade de negociação.

Na Câmara, a composição é formada por diversas legendas, e nenhuma delas possui sozinha maioria para aprovar projetos.

No Senado, a situação é semelhante.

Uma análise apresentada pela consultora legislativa Manuella Nonô, da Câmara, mostra que PL, Novo, Republicanos e PP somarão 42 senadores, enquanto PT e outras siglas de esquerda terão 15. Mesmo assim, os partidos de centro continuarão decisivos para formar maiorias.

A questão do STF

A nova composição também terá impacto direto na discussão sobre possíveis processos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.

Para uma condenação no Senado são necessários 54 votos, dois terços dos 81 senadores.

Mesmo somando PL, Novo, Republicanos e PP, a análise da Câmara aponta 42 senadores, 12 abaixo do quórum de 54.

Isso significa que, mesmo com o avanço da direita, uma eventual votação sobre impeachment de ministro do STF dependerá também dos partidos de centro.

É a maior derrota da esquerda?

Os números permitem afirmar que 2026 foi uma eleição de forte avanço da direita no Congresso, especialmente pelo crescimento do PL.

Mas afirmar que foi simplesmente “a maior derrota da esquerda da história” exigiria estabelecer um critério objetivo: número de cadeiras perdidas, percentual da Câmara, força no Senado, governos estaduais ou desempenho presidencial.

Por um desses critérios, a esquerda não sofreu uma derrota uniforme: a federação PT-PCdoB-PV, por exemplo, aumentou sua bancada de 82 para 88 deputados.

O que os números mostram, de forma inequívoca, é outra coisa: o PL alcançou em 2026 uma dimensão inédita no Congresso desde a redemocratização e ampliou significativamente a distância para a principal bancada de esquerda.

É essa mudança que fará do Congresso de 2027 um dos mais diferentes da história recente da política brasileira.