Atalhos, contratação de parentes e falta de caixa: Clemilson Correia elenca as falhas que mais fecham empresas

Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
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Maringá — A alta mortalidade de pequenos e médios empreendimentos no Brasil não decorre apenas da complexidade de mercado, mas da negligência de fundamentos básicos de administração. No podcast Ponto a Ponto, o empresário e mentor Clemilson Correia analisou os erros mais frequentes cometidos por quem decide abrir um negócio próprio.

Segundo o executivo, o equívoco primário é a busca contínua por atalhos tributários e societários: “O cara acha que o Simples Nacional custa muito ou que o Lucro Real é pesado, e aí resolve abrir duas empresas, colocando uma delas no nome de outra pessoa para dividir encargos. São atalhos que só geram complicação jurídica e dor de cabeça. Fazer o certo dá trabalho, mas é o único caminho seguro”.

Função por competência, não por parentesco

Outro ponto nevrálgico abordado por Correia envolve a gestão de pessoas e a contratação indiscriminada de familiares dentro de empresas em crescimento.

“Empresa não é família. Empresa é empresa”, sintetizou. “Função tem que ser definida por competência técnica e entrega de resultados, não por laço de sangue. Se o familiar tem o perfil exato para o cargo, excelente. Mas colocar parentes sem preparo apenas para preencher espaço é um erro crasso. Na minha gestão, estabelecemos o critério claro de não contratar familiares, justamente para manter a impessoalidade e o foco exclusivo no desempenho”.

O domínio dos números básicos

No campo financeiro, Clemilson alertou que a maior parte dos fechamentos prematuros decorre do estrangulamento do fluxo de caixa, frequentemente impulsionado pela confusão entre as finanças corporativas e o padrão de vida do dono.

“Se listarmos cem negócios que fecharam as portas, noventa quebraram por falta de fluxo de caixa. O empresário faz uma venda grande, entra um dinheiro expressivo e ele imediatamente vai lá e compra um carro importado. Ele não sabe o que é dinheiro dele e o que é capital de giro da empresa”, apontou. 

“Para começar a gerir de verdade, é obrigatório entender matemática básica: acompanhar o Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE), calcular a rentabilidade líquida e saber exatamente quanto custa a operação. Quem não domina seus números básicos depende da sorte, e o mercado não perdoa”.

Serviço

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.