Maringá — A cultura do imediatismo e a dependência de incentivos externos foram confrontadas pelo empresário Clemilson Correia durante sua participação no podcast Ponto a Ponto. Ao resgatar os primeiros passos de sua carreira, o CEO da Buysoft defendeu que a transformação da realidade individual não depende de concessões governamentais ou sorte, mas da disposição direta em investir tempo e recursos na própria capacitação.
Nos anos 1990, trabalhando no estacionamento rotativo de Maringá (Zona Verde), Correia recebia um salário mensal de R$ 50. Ao conhecer o universo dos computadores — máquinas que operavam em tela verde, sem mouse e com teclados rígidos —, decidiu se matricular em uma escola técnica de informática.
“O curso custava 27 reais por mês. Era mais da metade do que eu ganhava na Zona Verde”, destacou o executivo. “Uso isso como referência até hoje. Muita gente fica esperando que os outros façam algo por ela, terceirizando a culpa para a prefeitura, para o Estado ou para a família de onde veio. Se nós não investirmos em nós mesmos, do próprio bolso, ninguém vai fazer isso pela gente”.
Curiosidade e dedicação
O sacrifício inicial gerou retorno. Dedicado e autodidata, Clemilson aproveitou a oportunidade para se tornar monitor voluntário no contraturno, auxiliando instrutores e tendo acesso às máquinas que não possuía em sua residência. Pouco tempo depois, passou a substituir professores e assumiu turmas regulares de computação gráfica e manutenção.
Hoje, essa filosofia rege a rotina corporativa da Buysoft. O empresário orienta seus colaboradores a priorizarem o aprendizado contínuo dentro da própria jornada de trabalho: “Minha recomendação é que todo mundo estude pelo menos uma hora logo ao chegar na empresa. Eu pago o salário para que estudem, porque o conhecimento pertence ao indivíduo. Pior do que treinar alguém e essa pessoa sair da empresa é você não investir e ela continuar trabalhando com você sem evoluir”, enfatizou Correia.
Serviço
Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio
Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.




















