Os carros brasileiros vão aguentar a gasolina com 35% de etanol?

Governo começa a testar o E35; antes de chegar aos postos, mistura terá de provar que não prejudica motores e componentes
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Governo começa a testar o E35; antes de chegar aos postos, mistura terá de provar que não prejudica motores e componentes

O governo federal iniciou uma nova etapa para avaliar o aumento da quantidade de etanol misturada à gasolina. A proposta é testar a chamada E35, com 35% de etanol anidro na gasolina.

A pergunta que interessa diretamente aos motoristas é simples: os carros brasileiros vão aguentar?

Por enquanto, não há uma resposta definitiva. A mistura ainda está em fase de testes e não foi autorizada para venda nos postos.

A legislação permite que o percentual de etanol na gasolina chegue a 35%, mas exige que a viabilidade técnica seja comprovada antes de uma mudança definitiva.

O que será testado

Os estudos precisam verificar como a mistura se comporta em diferentes veículos e em situações variadas de uso.

Entre os pontos avaliados estão consumo, emissões, funcionamento do motor, desempenho e durabilidade dos componentes.

Um dos principais objetivos é descobrir se uma quantidade maior de etanol pode provocar efeitos de longo prazo em peças que entram em contato com o combustível.

A preocupação envolve especialmente componentes do sistema de alimentação, além do funcionamento do motor e dos sistemas de controle eletrônico.

Não basta o carro funcionar normalmente durante alguns quilômetros. O teste precisa mostrar como ele se comporta depois de um período maior de utilização.

E os carros que já estão nas ruas?

Essa é uma das principais questões do estudo.

O Brasil possui uma frota muito diversificada, com veículos novos e modelos que já têm muitos anos de uso. Também existem carros movidos exclusivamente a gasolina e os modelos flex, preparados para trabalhar com diferentes proporções de etanol.

Os testes anteriores com a gasolina E32, que passou a ser utilizada no país em agosto de 2026, incluíram veículos leves e motocicletas representativos da frota brasileira. Foram avaliados itens como partida, marcha lenta, aceleração, retomada, dirigibilidade e adaptação dos sistemas eletrônicos.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, os resultados do E32 não apontaram impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive nos modelos que não possuem motor flex.

Mas E32 e E35 não são exatamente a mesma coisa.

A nova etapa existe justamente para verificar se os três pontos percentuais adicionais de etanol mantêm a segurança e a durabilidade esperadas.

O que muda para o motorista

Se o E35 for aprovado e passar a ser adotado, a gasolina terá mais etanol em sua composição do que a mistura atual.

O impacto no consumo ainda precisa ser medido nos testes. O etanol possui menor quantidade de energia por litro do que a gasolina, mas o comportamento final depende do motor, da tecnologia do veículo e das condições de utilização.

Por isso, não é possível afirmar antecipadamente que todos os carros terão aumento igual no consumo.

Também não há, neste momento, orientação para que o motorista faça qualquer alteração no veículo.

A decisão ainda não está tomada

O E35 é o limite máximo previsto pela Lei do Combustível do Futuro. Para chegar às bombas, porém, a mistura precisa comprovar sua viabilidade técnica.

O Ministério de Minas e Energia coordena os estudos dentro do programa que avalia novos percentuais de biocombustíveis.

A gasolina atualmente comercializada no país está com 32% de etanol anidro, mistura que entrou em vigor de forma temporária em agosto de 2026.

Assim, a discussão sobre a gasolina com 35% de etanol ainda não é sobre abastecer ou não o carro com E35.

É, primeiro, descobrir se a frota brasileira está preparada para receber esse combustível por milhares de quilômetros sem comprometer desempenho, consumo e durabilidade.

Só depois dos testes será possível saber se os 35% de etanol poderão, de fato, chegar às bombas de todo o país.