Exposição “Raízes” reúne obras e achados arqueológicos neste sábado (26) em Maringá

Mostra “Raízes”, de Mario Kimura, será aberta às 15h no Museu de História e Arte Hélenton Borba Côrtes, no Teatro Calil Haddad.
Foto: Acervo pessoal
Foto: Acervo pessoal
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Raízes retiradas da terra, madeira transformada em arte e vestígios de povos que viveram na região há milhares de anos fazem parte da exposição “Raízes”, de Mario Kimura, que será aberta neste sábado (26), às 15h, no Museu de História e Arte Hélenton Borba Côrtes, no Teatro Calil Haddad, em Maringá.

A mostra reúne esculturas produzidas pelo artista autodidata desde a década de 1970 e materiais arqueológicos encontrados por ele durante o trabalho no campo. As peças ajudam a contar uma história que passa pela ocupação do Norte do Paraná, pelas mudanças na agricultura e pela relação de Kimura com a terra.

Nascido em 1936, em Guarantã (SP), Mario Kimura chegou ao Paraná ainda criança. A família passou por Arapongas antes de se estabelecer na região de Maringá, onde adquiriu uma propriedade rural que posteriormente deu origem ao espaço conhecido como Memorial Kimura.

Foi nesse ambiente que surgiu a produção artística. Na década de 1970, inspirado pelo trabalho de carpintaria de um tio, Kimura começou a utilizar raízes e pedaços de madeira encontrados durante as atividades rurais para criar esculturas.

Em vez de descartar as formas encontradas no solo, ele passou a aproveitá-las nas obras, mantendo características naturais da madeira. O resultado são peças moldadas não apenas pelo trabalho do artista, mas também pelo tempo e pelas marcas deixadas na própria matéria.

Vestígios encontrados na terra

O trabalho agrícola também levou Kimura a encontrar objetos arqueológicos durante o preparo do solo. Entre os materiais estão vestígios associados a grupos de caçadores-coletores, estimados entre 6 mil e 8 mil anos, e peças relacionadas à tradição Kaingang, com cerca de 3 mil anos.

Os achados se relacionam com diferentes períodos de ocupação humana da região e ajudam a revelar que a terra trabalhada pelas famílias de agricultores também guarda vestígios de populações que viveram no território muito antes da formação das cidades atuais.

A própria transformação da paisagem aparece como parte dessa história. A região passou por um forte ciclo cafeeiro até a grande geada de 1975, que provocou perdas nas lavouras e contribuiu para a substituição do café por culturas como algodão, soja, trigo e milho.

Foi nesse processo de mudança do campo que muitas árvores e raízes antigas foram retiradas do solo. Algumas delas acabaram ganhando outro destino nas mãos de Kimura e se transformaram em esculturas.

Acervo preservado em Floriano

A história da família e da relação de Mario Kimura com a terra também está reunida no Memorial Kimura, em Floriano, distrito de Maringá.

O espaço preserva móveis, ferramentas, utensílios domésticos, roupas, fotografias, moedas, revistas, obras de arte e materiais arqueológicos, entre outros objetos. O acervo também registra a trajetória da família desde a chegada do Japão até a passagem pelas fazendas de café de São Paulo e a instalação no Norte do Paraná.

A exposição “Raízes” apresenta parte desse percurso ao público e coloca em diálogo as esculturas produzidas por Kimura e os vestígios encontrados durante sua vida no campo.

A visitação será gratuita e poderá ser feita de 26 de setembro a 26 de outubro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. A classificação é livre.

Serviço

Exposição “Raízes” – Mario Kimura

Abertura: sábado, 26 de setembro, às 15h
Período: 26 de setembro a 26 de outubro
Local: Museu de História e Arte Hélenton Borba Côrtes, no Teatro Calil Haddad, em Maringá
Visitação: segunda a sexta-feira, das 8h às 18h
Entrada: gratuita
Classificação: livre