Candidato da Chapa 3 fala em ‘desburocratização’ e revitalização do campus da UEM em Maringá

Representando a chapa "União e Modernização", o professor Romel Dias Vanderlei, do departamento de Engenharia Civil, detalhou suas propostas em entrevista ao Maringá Post. Conforme o candidato, um projeto de revitalização do campus sede ajudaria a reduzir a 'sensação de insegurança'.
Romel, do departamento de Engenharia Civil, é candidato pela Chapa 3 | Foto: Divulgação
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O candidato à reitoria da Universidade Estadual de Maringá (UEM) pela Chapa 3, Romel Dias Vanderlei, quer trabalhar para ‘desburocratizar’ e ‘revitalizar’ o campus sede de Maringá. Ele detalhou seus projetos em entrevista ao Maringá Post, que promove uma série de entrevistas com os candidatos a comandar a instituição no próximo quadriênio. A eleição da UEM está prevista para o dia 17 de agosto.

Professor do departamento de Engenharia Civil, Romel tem ao lado dele a professora Adriana Aparecida Pinto, do Centro de Ciências Agrárias, como candidata a vice-reitora. A chapa “União e Modernização” é apoiada pelo atual reitor da instituição, Leandro Vanalli.

Atuando na Universidade há mais de duas décadas e com a vivência diária da Engenharia, Romel admite que a Infraestrutura do campus é um dos pontos que mais o incomodam. Conforme o candidato, o plano de atuação para caso seja eleito envolve uma reforma completa em alguns pontos básicos, como os banheiros públicos, além de um diagnóstico completo de todas as obras paralisadas para verificar o estágio em que cada uma se encontra.

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Ainda de acordo com o candidato, outra etapa do plano de ação envolve a revitalização completa do campus, com investimentos em ilumuninação, pinturas e retomada de áreas de convivência. Segundo Romel, a ocupação das áreas comuns é um grande reforço para ajudar a diminuir a “sensação de insegurança” em algumas áreas. Leia a entrevista completa abaixo:

P: Por que colocou seu nome à disposição para concorrer a reitoria?

R: “De fato é a primeira vez (que concorre à reitoria), mas eu falo para as pessoas, eu não nasci querendo ser reitor. Isso é um processo de construção no qual é decorrente de várias ações que aconteceram na minha vida como gestor da Universidade. E uma característica interessante é que desde que eu entrei na universidade, foi em 2003, a partir do ano seguinte eu já tive a oportunidade de participar de cargos administrativos. Então já são 20 anos de atuação, e foi um período sequencial, desde 2004 até 2024, foram 20 anos de atividades. E nessas ações eu tive a oportunidade de participar de cargos, os quais me colocaram como, por exemplo, na coordenação do curso, na chefia de departamento. O cargo mais interessante foi, o mais alto que eu concorri foi a direção do Centro de Tecnologia.

Nesse cargo eu passei 8 anos, 4 como adjunto e 4 como reitor do Centro de Tecnologia. E esse centro é um centro amplo, é um dos maiores centros de ensino da nossa universidade, é um centro multi-campo, é um centro no qual a gente tem diversos problemas que são relacionados diretamente com os problemas da universidade, por ser uma universidade multi-campo. E uma das características foi eu acabar me colocando como um vetor ali que promoveu a equidade entre esses departamentos, e acredito que isso gerou uma confiança em mim.

E esse meu trabalho, eu acredito que foi o que me capacitou para que o grupo que eu estou representando me convidasse a participar desse processo. Então foi um convite na realidade, e eu me senti confiante pela minha experiência em colocar o meu nome à disposição da universidade para fazer aquilo que eu já venho fazendo, que eu já venho fazendo praticamente durante a minha vida, desde que eu entrei na Universidade Estadual de Maringá”.

P: Como acredita que sua vivência na Universidade pode colaborar com a condução administrativa da instituição?

R: “Durante esse período, esse processo em que eu participei, eu tive a oportunidade de dialogar muito com as pessoas. A gente é uma Universidade com várias diferenças entre nós, e faz parte do ambiente universitário. E a habilidade, eu acho que me qualifica isso, é conseguir lidar com essas diferenças e trabalhar de maneira que as pessoas se sintam representadas nas suas demandas, mesmo que a resposta seja não. A gente sempre teve um trabalho de convencimento, de explicação e transparência. Então eu acredito que essa experiência e essa forma de trabalho é o que eu gostaria de levar para a universidade como um todo, e eu acho que é aquilo que as pessoas esperam de mim, aquelas que estão me apoiando, esperam que eu leve isso para a nossa Universidade”.

P: Quais considera que são as suas principais propostas? Poderia detalhar?

R: “Uma coisa que nos incomoda muito e que a mim, como engenheiro civil, também me incomoda, é com relação à nossa infraestrutura. Então eu pretendo e proponho fazer uma administração um pouco mais voltada para o nosso dia a dia, para as nossas atividades, para dar condições de trabalho e de ensino, para fazer com que os nossos alunos se sintam mais pertencentes, inclusive à nossa universidade, e isso envolve o cuidado dos nossos campos, não só do campo sério, mas de todas as nossas regiões, para que a gente se sinta mais pertencente.

Então é o cuidado dos ambientes, principalmente dos nossos banheiros, que são banheiros públicos e têm seus problemas, os nossos telhados, que às vezes têm vazamento, isso incomoda bastante, os nossos equipamentos para trabalho no ensino, na pesquisa, na extensão, e eu chamo isso de um olhar mais… uma visão mais endógena, ou seja, nós nos olharmos e tentar facilitar o nosso trabalho, tanto administrativo quanto ensino, pesquisa e extensão. Esse é um ponto.

O outro ponto que eu acho importantíssimo é que eu estou chamando de desburocratização da nossa universidade. O órgão público, por si só, ele já é burocrático. Então o que é que a gente está propondo? Que a gente flexibilize, simplifique alguns processos, alguns fluxos de trabalho, e para isso a gente precisa rever algumas regras internas da universidade, atualizar elas, tornar elas mais modernas, esse que é um dos modos nossos, modernização, para que isso transforme os nossos processos mais ágeis, torne-os mais ágeis. Também integração dos nossos sistemas. A gente tem vários sistemas que atuam na universidade, seja na área de ensino, na parte acadêmica, na parte administrativa, que envolve compras, recursos humanos e outros.

A gente tem uma dificuldade em interagir com esses sistemas e com isso a gente tem alguns retrabalhos. Então hoje a nossa sociedade aqui interna, ela demanda novos sistemas informatizados para que a gente agilize o nosso processo também. Então essa parte de dentro, que eu chamo de desburocratização, que envolve a parte de compras também e execução dos nossos serviços, ela é pujante aqui dentro e a gente quer investir um pouco mais nessas soluções”.

P: Uma pauta que ficou muito evidente nos últimos anos são as obras paralisadas no campus. Qual a sua proposta para resolver o problema?

R: “Isso aqui é uma coisa que incomoda. É um recurso público entregado ali de outros gestores, de outros governos, inclusive, e incomoda muito. Deixa o ambiente feio, a nossa Universidade cria uma imagem que, de fato, não é a imagem que alguém quer passar. Então, para solucionar isso, eu acho que assim que nós entrarmos, nós vamos primeiro fazer um diagnóstico. Nós precisamos saber o tamanho do problema.

Esse diagnóstico vai envolver as obras que algumas já começaram e as que faltam ainda ter recurso. E eu acho que o papel do reitor ali é criar essa estrutura, captar esse recurso, e a gente precisa de uma articulação política, porque a universidade é pública, o nosso mantenedor é o Estado, então a gente precisa ter essa articulação política para captar esse recurso das obras que estão faltando e ter a capacidade, que aí já é internamente, de executar esse recurso e concluir essas obras. Obras públicas não são fáceis de serem executadas, mas a gente precisa agir nesse sentido.

Nós não podemos ficar parados. Nós temos que agir diretamente para concluir, pelo menos, algumas dessas obras. Eu entendo que toda a sociedade espera isso da universidade. Não só a sociedade, mas também o próprio Governo, que a gente conclua essas obras o mais urgente possível”.

P: Um outro assunto que, volta e meia, chama a atenção, é a qualidade das refeições do Restaurante Universitário. É possível fazer algo diferente?

R: “A permanência estudantil é um assunto muito importante para nós. A gente tem uma série de alunos nossos que precisam dessa assistência. E o cuidado com o restaurante é importante. Nós, hoje, já temos. Nós temos um cuidado com a qualidade das nossas refeições em função dos profissionais que estão ali, que têm um controle rigoroso dessa qualidade. Temos nutricionistas acompanhando, temos a vigilância sanitária que está ali.

Mas o que está faltando, talvez, é mais recurso para que a gente possa diversificar um pouco mais o cardápio, oferecer uma refeição um pouco mais ampla, para os nossos, a gente expandiu para três refeições diárias. Então, acho que a gente precisa reforçar isso com mais recurso. Para isso, eu entendo que agora tem uma lei recente, no final de 2025, que talvez a gente consiga captar mais recursos e até reduzir o custo para o aluno disso.

Então, essa é uma questão que a gente visa para os nossos alunos. Mas, com relação à administração lá, a gente tem um problema sério que é que os cargos, as pessoas que estão ali estão em cargos, estão extintas, vão pagar. Ou seja, eles aposentando, nós não podemos contratar e temos que passar esse serviço para um serviço que a gente chama de terceirizado, contratar empresas que vão fazer esse serviço.

E hoje nós temos uma situação mista, em que temos ainda servidores nessa situação que estão atuando ali e outros que são terceirizados. Se o terceirizado para, os nossos servidores efetivos não têm condições de fazer o serviço sozinho. Então, nós temos uma transição ali. E o que a gente precisa fazer? O que eu entendo? Cuidar dos contratos dos terceirizados hoje.

Na verdade, a gente precisa fazer um planejamento de médio e longo prazo, até quando esses nossos funcionários efetivos estarão na URU, para que isso não ocorra de maneira abrupta. E nesse planejamento, a gente vai ter que ir substituindo por terceirizados, de forma programada. Só que nós temos que aprender a contratar.

Nós temos que aprender a fazer contratos que sejam mais eficientes para nós, garantindo a segurança alimentar dos nossos alunos. Isso envolve salário do pessoal do terceirizado e garantias de que esse serviço é essencial, que não pode ser paralisado. Para isso, a gente vai estudar esse assunto, mas é um caminho que a gente vai ter que seguir, que é cuidar dos contratos dos terceirizados, que vai aumentar gradativamente ao longo desses próximos anos com a aposentadoria desses servidores”.

P: A segurança do campus também é um problema relatado pelos universitários. Como intervir nesta questão?

R: “É uma questão também que a gente está planejando. Hoje, o que eu vejo aqui na nossa Universidade é que melhorou bastante com o sistema de monitoramento. A gente precisa dar um upgrade que agora é investir um pouco mais no software, um software que possa reconhecer situações de insegurança e dar alertas com mais agilidade.

Então, esse é um passo que está previsto, já que a gente tem que continuar nessa linha. Mas o que eu acho que temos mais a fazer é com relação à sensação de insegurança. Porque com a própria insegurança, a sensação de insegurança no nosso campus é grande. E isso tem a ver com o projeto do nosso campus. A forma como ele está hoje.

E o nosso projeto é revitalizar o campus, principalmente com relação à parte de iluminação. Iluminação, sinalização, pinturas das ruas, das calçadas, dos ambientes, para tornar o campus com a sensação mais segura. Então, a parte de iluminação, quem tem aula aqui à noite, e os nossos servidores também que vêm trabalhar à noite, eles precisam dessa sensação de segurança que tem que ser promovida por nós.

E é um projeto que tem que ser feito, um projeto de engenharia mesmo. Quando a gente consiga criar esses ambientes, essas vias de forma iluminada, segura, monitorada. O serviço de vigilância também está sendo terceirizado.

A gente também precisa pensar em melhorar esses contratos terceirizados para garantir essa segurança. Mas eu acho que a principal proposta hoje é diminuir a sensação de insegurança em função do ambiente que é gerado na nossa estrutura atual”.

P: Nos últimos quatro anos, a atual gestão da UEM foi marcada por uma maior aproximação com as instituições políticas do Estado. É um caminho que pretende seguir?

R: “A Universidade é pública, então é um órgão público. E por ser órgão público, também o nosso mantenedor está presente e eu não vejo sentido nós estarmos distantes desse diálogo. Nossa chapa tem a proposta, como lema, ‘União Modernização’, e essa é uma união importante. O que nós propomos é termos um diálogo aberto com todos os políticos, independente de qual seja a sua ideologia, que queiram investir na educação. E a Universidade é o local para esses investimentos. E ter o diálogo, principalmente, com o nosso mantenedor, que é o Governo do Estado, porque precisamos executar uma série de ações, como falei, terminar essas obras, precisamos do Estado. Então não temos outro caminho, se de fato quisermos implementar isso, não temos outro caminho, se não for o diálogo constante com o órgão que nos mantém”.