Maringá acumula mais de 500 mil registros de contas atrasadas, quantidade superior à população estimada do município. O dado faz parte de um levantamento da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), que aponta cerca de 120 mil consumidores inadimplentes na cidade, o equivalente a aproximadamente metade da população economicamente ativa.
Os números mostram que uma mesma pessoa pode acumular mais de uma dívida, o que explica a diferença entre a quantidade de registros e o número de consumidores negativados.
O levantamento também revela que a maior concentração de inadimplentes está na faixa entre 30 e 39 anos. Segundo Paula Faria, gerente comercial do SPC Brasil na Acim, esse é um período da vida marcado pelo aumento das responsabilidades financeiras.
“É uma faixa que está ali na fase da construção de uma vida ou já está na fase que tem carro próprio, está construindo, tem filhos na escola. Então acaba tendo um custo de vida um pouco maior e por isso desse impacto.”
Reincidência preocupa
Outro dado que chama a atenção é o índice de reincidência. Segundo a Acim, 85% dos consumidores inadimplentes voltaram a ter o nome negativado no período de um ano.
Para Paula Faria, isso acontece porque muitas pessoas renegociam dívidas sem considerar a própria capacidade de pagamento ou assumem novos compromissos financeiros antes de quitar os antigos.
“Na maioria das vezes, dependendo do tipo de credor, tem a facilidade de dar aquela entrada mínima. Ele vai lá e compra a casa dele, financia um carro, qualquer outro desejo, outro sonho. Só que aí, às vezes, ele pensa naquele momento, depois eu resolvo, vejo como fica. Então a reincidência, na maioria das vezes, dá pelo calor da emoção.”
Como sair da inadimplência
Para quem já está com o nome negativado, a orientação é procurar diretamente a empresa credora e negociar um parcelamento compatível com a realidade financeira. A recomendação também é evitar renegociar todas as dívidas ao mesmo tempo, reduzindo o risco de voltar à inadimplência.
“Às vezes eu vou lá na ansiedade de resolver um problema, só resolvo ele momentaneamente e não consigo arcar com o meu reparcelamento, a minha repactuação daquela dívida que eu fiz. A orientação é que, se ele não tem condições, faça uma negociação de cada vez.”
Além da negociação, a gerente comercial destaca que a organização do orçamento doméstico é essencial para evitar novas dívidas.
“Não tem outra forma. Precisa fazer conta. Claro, às vezes a pessoa perde o emprego ou passa por alguma situação pontual. Mas a grande maioria das pessoas tem sido reincidente porque não tem feito a organização orçamentária mesmo.”




















