Tem vezes que o rap sai dos fones de ouvido e ganha espaço como instrumento de transformação. Essa é a proposta do projeto Rap na Medida, do rapper e educador Renan Inquérito. A iniciativa é destinada a jovens que cumprem medida socioeducativa no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS).
Rap na Medida
O Rap na Medida é uma proposta educativa e cultural que ocorre em diferentes cidades do Brasil com objetivo de utilizar o hip hop como ferramenta pedagógica.
Em Maringá, os jovens realizaram, por cinco dias, oficinas e atividades voltadas à poesia falada, música e hip hop.
Na quinta-feira (29), realizaram a gravação de uma música composta pelos próprios alunos e, nesta sexta-feira (30), viram o resultado final. Para Inquérito, o hip-hop contribui para o desenvolvimento dos adolescentes:
“O rap potencializa a voz deles, né? Então, uma frase que ele escreveu ali na oficina que ele vai cantar, que ele vai interpretar, olhando para câmera, às vezes tímido, depois ele vai ficando mais desenvolto”.
Larice Lopes, Assistente Social do CREAS, concorda. Para ela, a cultura faz com que os alunos reflitam sobre o futuro e atitudes do passado. “Foi um sonho trazer o rap na medida para Maringá, a gente está muito feliz”.
Escola Nacional de Hip Hop
Em março de 2026, o Ministério de Educação (MEC) instituiu a Escola Nacional de Hip Hop. A iniciativa busca promover a inovação no ensino, além de fortalecer a história e cultura afro-brasileira e africana e indígena na educação básica, no ensino fundamental e médio.
Para Inquérito, a mudança age como um reconhecimento de uma cultura que já atuava na comunicação.
“O Hip-Hop já tava na escola entrando de várias formas e até às vezes pulando o muro. Mas hoje a escola abrindo a porta pro Hip-Hop é maravilhoso, porque nós já temos vários professores do Hip-Hop. O reconhecimento disso nos valoriza e nos incentiva ainda mais a continuar usando o hip-hop como uma ferramenta pedagógica”.
Por fim, o artista conta que a iniciativa também transforma quem ensina.
“Hoje, por exemplo, no último dia, um adolescente falou: ‘Não vai falar que vocês já vão embora não, né?’ Então, porque a gente se apega, a gente cria um vínculo com eles, né? E eles se identificam também”.











