No Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito presidente neste domingo (25) em uma virada histórica. Em Maringá, apesar de Flávio Bolsonaro ter recebido mais votos nos dois turnos, Lula teve um crescimento maior entre as votações. O petista passou de 62.164 para 79.518 votos, um aumento de 17.354, equivalente a 27,92%. Já Flávio passou de 146.584 para 161.562 votos, com 14.978 votos a mais, crescimento de 10,22%.
Diante desse cenário, o Maringá Post ouviu Victor Duarte Faria para explicar quais são as possíveis motivações para a mudança e quais poderão ser seus impactos. Faria é jornalista, escritor e documentarista brasileiro e já atuou como comentarista em coberturas políticas, como nas Eleições 2026 no Maringá Post.
Das ruas às redes

Em Maringá, a movimentação também ocorreu nas ruas. No dia 18 de outubro, aproximadamente 10 mil pessoas se manifestaram entre o estádio Willie Davids e a Catedral. Duarte defende que, além do impacto nas ruas, as publicações do movimento nas mídias digitais encorajam eleitores a se posicionarem.
“A ocupação da rua por si só tem uma dimensão para aquele dia, para aquele horário, para aquilo ali. Mas a fotografia que a gente faz da manifestação na cidade é uma outra dimensão de pertencimento até de pessoas que estavam neutras e eventualmente votavam ou de pessoas que tinham medo”.
Oposição nos Executivos
Questionado sobre a relação entre o Executivo estadual, comandado pelo governador eleito Sérgio Moro (PL), e o Executivo federal, liderado pelo presidente reeleito Lula (PT), Duarte avalia que não haverá impasses ou revanchismos.
Nesta segunda-feira (26), por exemplo, Sérgio Moro se pronunciou sobre a vitória de Lula, afirmando que “há questionamentos que precisam ser esclarecidos”.
“O presidente é um democrata, ele não faz esse tipo de coisa”, afirma Duarte.
Como exemplo, o jornalista citou outros períodos em que o governo paranaense fez oposição ao governo federal.
“O Paraná segue crescendo, apesar de ter sido sempre uma oposição ferrenha aos governos de esquerda. E isso se dá pelo óbvio: pelo povo do Paraná, mas também com o investimento que vem tanto da esfera federal quanto da esfera estadual”.
Futuros embates
Reeleito para um segundo mandato consecutivo, Lula não poderá disputar um terceiro mandato consecutivo em 2030. O Maringá Post questionou Duarte sobre sua perspectiva quanto ao futuro das oposições. O jornalista afirma que o PT terá desafios para escolher um “sucessor competitivo” para ser lançado como candidato de esquerda e que o partido terá entre um e dois anos para se organizar politicamente.
Quanto à direita, Duarte espera que a extrema direita recue para dar espaço à retomada de uma direita democrática. Ele citou figuras como José Serra e Fernando Henrique Cardoso (FHC) como exemplos. Assim, o jornalista afirma que gostaria que ambos os lados discutissem e brigassem “por vias democráticas”.
Como exemplo, relembrou a vez em que Fernando Henrique Cardoso prestou apoio a Lula quando Marisa Letícia Lula da Silva, sua então esposa faleceu. Assim como Lula compareceu ao velório de Ruth Cardoso, então esposa de FHC. Duarte comentou também sobre o atual cenário, em que há casos de políticos comemoram a morte de opositores
“Isso é ruim para a democracia porque acaba acentuando os ânimos das pessoas que são extremas, e os extremos não são a maioria”.
















