As ações do Nubank tiveram uma forte queda nesta segunda-feira, 28, em Nova York. O papel da Nu Holdings chegou a recuar cerca de 10% durante o pregão, em reação a notícias sobre uma possível aquisição do banco digital britânico Monzo.
A operação ainda não está fechada. As informações disponíveis indicam que as conversas estão em estágio inicial e foram divulgadas inicialmente pela imprensa britânica. O Nubank afirmou que não comenta rumores ou especulações.
O tamanho da possível operação explica parte da reação do mercado.
O Monzo poderia ser avaliado entre 8 bilhões e 10 bilhões de libras, o equivalente a aproximadamente US$ 10,6 bilhões a US$ 13,3 bilhões.
Para os investidores, portanto, a questão não é simplesmente comprar outro banco.
É saber quanto o Nubank pagaria, como financiaria a aquisição e quanto tempo levaria para transformar o investimento em resultados.
Uma das possibilidades é que parte da operação seja paga com ações do próprio Nubank. Nesse caso, haveria aumento do número de ações em circulação e, consequentemente, potencial diluição da participação dos atuais acionistas.
Outro ponto é a estratégia.
O Nubank vem ampliando suas operações no Brasil, México, Colômbia e Estados Unidos. A entrada no Reino Unido representaria uma expansão importante para a Europa, mas também acrescentaria uma operação complexa ao grupo.
O Monzo possui uma grande base de clientes e presença relevante no mercado britânico. No último ano fiscal, registrou receita de cerca de £ 1,7 bilhão e lucro antes de impostos de aproximadamente £ 87 milhões.
O desafio seria transformar esses números em retorno compatível com o preço da aquisição.
É por isso que a queda das ações não significa, necessariamente, que o mercado esteja avaliando negativamente o negócio do Nubank como um todo.
Ela mostra que os investidores estão reavaliando o risco de uma possível operação bilionária.
Se a aquisição não avançar, parte dessa pressão pode desaparecer. Se avançar, o mercado deverá observar principalmente o preço pago, a forma de financiamento, o impacto sobre os acionistas e a capacidade de integração das duas instituições.
Para o cliente do Nubank, não há neste momento uma mudança anunciada em conta, cartão ou serviços.
Para o acionista, entretanto, o episódio coloca uma nova questão sobre a mesa: quanto custará a expansão internacional e quanto retorno ela poderá produzir?
É essa resposta, e não apenas o tamanho do Nubank, que deverá orientar a reação das ações daqui para frente.




















