“Tudo pode ser automatizado, menos o olho no olho”: Ariovaldo Costa Paulo analisa impacto da IA e da robótica no comércio

No Ponto a Ponto, conselheiro da Braveo projeta avanço de humanoides e esteiras inteligentes na logística, mas garante que o atendimento pessoal continuará sendo a maior blindagem do pequeno varejo.
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
Tempo de leitura: 2 min

Maringá — O ritmo acelerado das inovações tecnológicas, a escassez estrutural de mão de obra operacional e a sobrevivência do pequeno comerciante perante as grandes plataformas digitais foram os eixos da análise prospectiva feita pelo empresário Ariovaldo Costa Paulo no podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post.

Com quatro décadas de atuação na logística de suprimentos, o fundador da Arilu Distribuidora avaliou que o ecossistema empresarial passará por uma transformação drástica na próxima década. “A celeridade das mudanças nos próximos cinco a dez anos será imensa, e muitas empresas que não se aprimorarem ficarão para trás. Hoje, praticamente todos os setores enfrentam uma crise severa de mão de obra, desde a qualificada até o serviço braçal”, afirmou Costa Paulo ao jornalista Ronaldo Nezo.

Automação na logística e robótica

O líder empresarial relatou que a substituição de funções físicas por tecnologia já é uma realidade palpável no mercado global: “Nas plataformas modernas de logística, esteiras inteligentes já conduzem a carga de ponta a ponta até a doca. Na China, já existem humanóides em teste para realizar a estufagem e o carregamento pesado dos caminhões. Robôs já atuam em serviços repetitivos, como servir bebidas em restaurantes”.

Na avaliação de Ariovaldo, a tecnologia redefinirá o papel humano na indústria e no atacado: “O ser humano deixará de exercer o esforço físico bruto para atuar no treinamento, no gerenciamento e na programação dessas inteligências artificiais. Quase tudo poderá ser automatizado em termos de movimentação interna. A única coisa insubstituível por enquanto é o transporte e a entrega física; afinal, ainda não inventaram o teletransporte”.

A força do atendimento pessoal

Se na cadeia de suprimentos pesada a automação é inexorável, no contato final com o consumidor o empresário enxerga o movimento inverso: a supervalorização da interação humana genuína. Para Costa Paulo, a despersonalização do atendimento promovida por canais digitais frios e centrais remotas abre uma oportunidade estratégica para os pequenos negócios.

“Hoje o atendimento no mercado está extremamente impessoal. Você liga num canal de atendimento ou 0800 e não consegue falar com um ser humano, o que gera revolta no cliente. Por isso, nenhuma inteligência artificial vai conseguir substituir o vendedor que chega à loja, cumprimenta, pergunta pela família, fala de futebol e constrói uma relação de confiança”, sustentou o empresário.

Costa Paulo comparou a resistência do comércio tradicional à sobrevivência de ofícios históricos: “É o caso do alfaiate e do barbeiro tradicional. O cliente pode ter um salão moderno e luxuoso ao lado, mas continua frequentando o mesmo barbeiro de confiança há 20 anos pela relação de proximidade. O pequeno comerciante não pode tentar competir com o grande em escala tecnológica; o diferencial dele é o olho no olho, a empatia e o atendimento humanizado. Quem entender isso poderá até cobrar mais pelo seu serviço”, finalizou.

Serviço

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.