‘Virtuosas’ estreia em cinemas do Brasil em tom provocante e data estratégica

Maringá Post entrevistou atrizes e diretora do filme; confira
Personagens do filme "Virtuosas". Foto: reprodução
Tempo de leitura: 4 min

Um encontro para ser a sua “melhor versão” é o que promete Virgínia, coach, influenciadora e mulher virtuosa. Segundo a sinopse, um retiro VIP promete “aperfeiçoar mulheres”, sob as regras de uma fé que não admite falhas. Mas a “jornada virtuosa” acaba se revelando absurda e perigosa. O terror social tem humor ácido e imprevisível, estrelado por Bruna Linzmeyer e Maria Galant.

Dessa forma, o novo filme dirigido por Cíntia Domit Bittar provoca uma reflexão sobre discursos contra a liberdade da mulher camuflados (ou escancarados) nas redes sociais.

Não por acaso, a diretora afirma que a inspiração para o filme é a vida real: palestras, publicações na internet e discursos sobre “papel das mulheres” e status quo.

Bruna Linzmeyer interpreta Virgínia. Ela afirma que foi “assustador” o processo de pesquisa, ao mergulhar em palestras e temas que envolviam a padronização da forma de ser mulher. No entanto, ficou feliz em interpretar o papel de uma vilã no cinema.

“Essa é a primeira grande vilã da minha carreira e a gente não tá tão acostumado a ver vilãs no cinema, a gente vê muito mais vilã nas novelas. Então é uma grande oportunidade para mim enquanto atriz”

Além disso, torce por mais vilãs no cinema:

“Que tenham mais oportunidades assim de, enquanto atrizes, enquanto mulheres, né, que são profissionais do audiovisual, a gente tenha personagens assim que são perversas, que são malévolas, que são manipuladoras”.

 

Bruna Lizmeyer interpreta a vilã ‘Virgínia’ em ‘Virtuosas’. Foto: divulgação

Maria Galant, por sua vez, interpreta Germina, uma mulher que participa do retiro e se considera muito “curiosa”. Galant comenta que sua personagem tenta enganar as outras mulheres, mas também tenta enganar o público, em outro nível.

A atriz comenta da alegria em poder estar em um filme que trata sobre assuntos pelos quais ela considera importante, e comemora a parceria com o elenco.

A atriz Maria Galant interpreta Germina. Foto: reprodução

“A Germina atravessa várias questões que para mim são muito interessantes, várias questões que acho que são muito latentes do Brasil hoje em dia. Então, acho que ele é um filme muito importante de tá saindo agora. Fico muito feliz de fazer parte dele”.

A data, em período pré-eleitoral, foi estratégica, segundo Bittar. O filme reacende discussões sobre direito da mulher e questões morais e éticas.

“Eu espero que o filme faça as pessoas pensarem um pouco mais em quem vão votar. E espero que faça a gente pensar o quanto ainda falta conquistar para as mulheres para que ela encontrem conforto na conquista de mais direitos e no encontro mais igualitário em vez de voltar em ideias que são um retrocesso naquilo que foi conquistado”.

Confira a entrevista com a diretora Cíntia Domit Bittar e as atrizes Maria Galant e Bruna Linzmeyer, conduzida por Mari Parma:

Quem também atuou no filme foram as atrizes Juliana Lourenção, Sarah Motta e Brisa Marques. Lourenção interpreta Lorena Canollo e conta que, apesar de ser um tema tenso, a equipe tornava o processo de atuação mais leve. Já Sarah Motta, que interpreta Bárbara Rossi, comemora a liberdade que teve para criar no set.

Brisa Marques, a Gorete em “Virtuosas”, vive sua primeira atuação para o cinema.

“Fazer um filme com pessoas que têm os mesmos valores que eu, que querem imprimir na tela uma narrativa que cause uma reflexão importante para sociedade brasileira, é um dos maiores presentes”.

Além disso, Brisa comenta que, apesar de ser um tema delicado, a equipe era consciente e focava sobretudo em defender a liberdade da mulher sem desrespeitar nenhuma crença:

“A gente não tá incentivando ódio para nenhum tipo de crença de pessoa e nem mesmo pelos vilões. Não, não é hora de a gente quer responsabilidade e justiça”.

Lourenção comenta que, apesar de ser um tema tenso, a equipe tornava o processo de atuação mais leve. Foto: divulgação

Por fim, Sarah Motta, que interpreta Bárbara Rossi, afirma que gostaria que o público reconhecesse a importância da diversidade de formas de viver e existir:

“Eu gostaria que o público refletisse sobre o perigo da história única, esse perigo de existir só um caminho perfeito de existência diante de um país tão diverso quanto o nosso”.

Confira a entrevista completa com as atrizes Juliana Lourenção e Sarah Motta:

O filme possui classificação indicativa de 16 anos, e a estreia acontece nesta quinta (24) em diferentes cinemas do Brasil. Ainda não há, no entanto, previsão de exibição em Maringá.

Confira o Trailer: