Antes de entender o tamanho do problema, é preciso explicar uma palavra que aparece muito nesta reportagem: B3.
A B3 é a Bolsa de Valores do Brasil. É o lugar onde investidores compram e vendem ações de empresas que abriram seu capital. Uma ação representa uma pequena parte de uma empresa. Se muita gente quer comprar, o preço tende a subir. Se os investidores deixam de confiar na empresa e querem vender, o preço pode cair.
Por isso, acompanhar a Bolsa também ajuda a entender como o mercado está enxergando as empresas brasileiras.
E os números recentes chamam a atenção.
Um levantamento publicado pela Gazeta do Povo mostra que 13 empresas brasileiras tiveram quedas superiores a 88% no preço de suas ações desde o início de 2023. Seis delas perderam mais de 99%.
Entre os nomes estão empresas conhecidas dos brasileiros, como Americanas, Casas Bahia, Azul, Gol, Oi, Raízen e Ambipar.
A situação mais extrema é a da Sequoia Logística. Segundo o levantamento, a ação caiu 99,99% desde janeiro de 2023. Gafisa, Azul, Gol, Americanas, Casas Bahia e Ambipar também registraram perdas superiores a 99%.
Na prática, isso significa que quem tinha R$ 10 mil investidos em determinadas empresas pode ter visto esse valor se transformar em apenas alguns reais, dependendo da companhia e dos eventos ocorridos no período.
Mas existe uma diferença importante: queda da ação não significa necessariamente que todo o dinheiro desapareceu da empresa. Significa que o mercado passou a atribuir um valor muito menor às suas ações.
E por que isso acontece?
Não existe uma única explicação. Cada empresa tem sua própria história. Mas vários casos têm pontos em comum: dívidas elevadas, dificuldade para conseguir crédito, juros altos, problemas de gestão, resultados ruins e necessidade de renegociar dívidas.
Em alguns casos, a situação chegou à recuperação judicial ou extrajudicial, usada pelas empresas para tentar reorganizar suas dívidas e continuar funcionando.
Americanas e Casas Bahia estão entre os exemplos mais conhecidos. A Oi teve a falência decretada neste mês. A Braskem também entrou em processo de recuperação extrajudicial, com uma dívida reconhecida de cerca de US$ 10,9 bilhões, aproximadamente R$ 56 bilhões.
O cenário não significa que todas as empresas brasileiras estejam em crise. Há companhias que continuam crescendo, lucrando e aumentando seu valor de mercado.
Mas a quantidade de grandes empresas que perderam enorme valor na Bolsa é um sinal que merece atenção.
E existe outro número importante: somente entre 3 e 12 de agosto deste ano, as empresas negociadas na B3 perderam, juntas, R$ 279 bilhões em valor de mercado. O valor é próximo de toda a avaliação da Vale naquele momento.
Em junho, outro levantamento havia mostrado uma perda ainda maior: as empresas da B3 chegaram a perder R$ 731 bilhões entre o pico registrado em fevereiro e 18 de junho.
Esses números não permitem dizer, sozinhos, que “a economia brasileira quebrou” ou que todas as empresas estão mal. A Bolsa também sofre influência de fatores internacionais, juros, câmbio, política e expectativas dos investidores.
Mas os dados mostram um problema concreto: grandes empresas brasileiras estão valendo muito menos na Bolsa do que valiam alguns anos atrás.
É justamente por isso que o levantamento das 20 maiores perdas de valor de mercado em reais pode ajudar o leitor a enxergar o tamanho desse movimento.
Mais do que saber quais ações caíram, a pergunta é outra:
quantos bilhões de reais deixaram de existir no valor de mercado dessas empresas e quais setores foram mais atingidos?


















