Dólar mais fraco aumenta o interesse de investidores por títulos de países emergentes

Brasil pode se beneficiar da busca por maior rentabilidade, mas cenário ainda depende dos juros americanos, das contas públicas e das eleições
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A perda de força do dólar está mudando o comportamento de grandes investidores internacionais. Com a moeda americana menos valorizada, gestores de fundos passaram a enxergar com mais interesse os títulos de países emergentes, entre eles o Brasil.

Em termos simples, esses investidores estão procurando alternativas para colocar o dinheiro. Quando o dólar e os títulos americanos deixam de oferecer a mesma combinação de segurança e retorno, países em desenvolvimento podem ganhar espaço.

Os chamados títulos de emergentes são, basicamente, investimentos ligados à dívida de governos e empresas desses países. Eles costumam pagar juros maiores justamente porque envolvem mais riscos.

O Brasil aparece nesse cenário por oferecer juros elevados. Para um investidor estrangeiro, uma taxa de juros alta pode representar uma oportunidade de ganhar mais, principalmente quando existe expectativa de estabilidade ou valorização da moeda local.

Por que o dólar influencia?

O dólar é a principal moeda utilizada nas transações internacionais. Quando ele perde valor, parte dos investidores procura outros mercados para diversificar seus recursos.

Outro fator considerado pelos gestores é a preocupação crescente com as contas públicas dos Estados Unidos. Déficits elevados e aumento da dívida americana podem fazer investidores questionarem quanto de seus recursos devem permanecer concentrados em ativos dos EUA.

Esse movimento favorece uma distribuição maior do dinheiro entre diferentes países.

Mas existe uma ressalva importante: dólar mais fraco não significa que os países emergentes estejam livres de riscos.

No Brasil, por exemplo, os investidores acompanham de perto a situação das contas públicas, o comportamento da inflação, a política de juros do Banco Central e, principalmente, o ambiente eleitoral.

Além disso, o cenário externo pode mudar rapidamente. Em 28 de agosto, por exemplo, o dólar fechou a R$ 5,196, com alta de 0,63%, depois de declarações consideradas duras do presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. A possibilidade de juros americanos mais altos aumenta novamente a procura pelo dólar e pode reduzir o interesse por mercados emergentes.

E o que isso representa para o Brasil?

Se o movimento de enfraquecimento do dólar continuar, o Brasil poderá receber uma parcela maior dos recursos internacionais destinados aos mercados emergentes.

Isso pode aumentar a procura por títulos brasileiros, ajudar o real e melhorar as condições de financiamento do país e de empresas brasileiras.

Para o consumidor, entretanto, os efeitos não aparecem imediatamente no bolso.

Um real mais valorizado pode baratear produtos importados, equipamentos, componentes industriais e alguns produtos que têm preços influenciados pelo dólar. Para empresas brasileiras que importam, isso pode significar redução de custos.

Por outro lado, empresas exportadoras podem enfrentar uma situação diferente. Quando o dólar cai, cada dólar recebido nas exportações vale menos quando convertido para reais.

O momento, portanto, é de maior interesse internacional pelo Brasil, mas sem garantia de que o dinheiro estrangeiro continuará chegando.

A avaliação dos gestores é de que títulos de países emergentes podem continuar atraentes enquanto o dólar permanecer pressionado e os investidores buscarem alternativas aos ativos americanos.

Para o Brasil, a oportunidade existe. Mas a capacidade de aproveitá-la dependerá também de manter a confiança dos investidores, controlar a inflação, administrar as contas públicas e oferecer segurança para quem coloca dinheiro no país.

Em resumo: o dólar mais fraco abre uma porta para os países emergentes. O desafio brasileiro será convencer os investidores a entrar — e, principalmente, a permanecer.