Grandes empresas enfrentam estresse financeiro e expõem pressão sobre diferentes setores da economia

Braskem, Habib's, Magazine Luiza, GPA e Raízen estão em momentos distintos, mas têm em comum a pressão provocada por dívidas, juros elevados, resultados fracos ou necessidade de reorganização financeira
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O cenário de juros elevados, crédito mais caro, consumo pressionado e aumento do custo financeiro vem atingindo empresas de diferentes setores da economia brasileira. Entre os nomes que chamam atenção estão Braskem, Habib’s, Magazine Luiza, GPA e Raízen.

Na Braskem, o quadro é um dos mais delicados. A petroquímica possui dívida de aproximadamente US$ 10,3 bilhões, cerca de R$ 53,5 bilhões, e intensificou as negociações com credores para uma possível reestruturação. A companhia avalia medidas de proteção contra credores e não descarta uma recuperação extrajudicial.

No setor de alimentação, o Grupo Gennius, controlador do Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, enfrenta dívida de aproximadamente R$ 312 milhões. A Justiça suspendeu cobranças e execuções por 60 dias para permitir negociações com credores. O grupo tenta solucionar o problema por meio de mediação e evitar uma recuperação judicial.

O Magazine Luiza, gigante do varejo de eletroeletrônicos, móveis e comércio eletrônico, apresenta uma situação diferente. A empresa fechou junho com R$ 4,9 bilhões em dívida bruta, mas também mantinha posição de caixa total de R$ 5,8 bilhões. No segundo trimestre, registrou prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões. Portanto, o cenário exige acompanhamento, mas não configura, até o momento, uma situação comparável à de empresas em recuperação.

O GPA, dono das redes Pão de Açúcar e de outras operações de varejo alimentar, já avançou para uma etapa mais grave. Em março, apresentou plano de recuperação extrajudicial envolvendo cerca de R$ 4,5 bilhões em obrigações financeiras. A empresa vinha acumulando prejuízos e registrava capital circulante líquido negativo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão.

Na área de energia, combustíveis, açúcar, etanol e bioenergia, a Raízen também passou por uma profunda reestruturação. A Justiça homologou, em julho, seu plano de recuperação extrajudicial, envolvendo aproximadamente R$ 61,4 bilhões em dívidas financeiras. No segundo trimestre, a companhia registrou prejuízo de R$ 1,64 bilhão e dívida líquida de R$ 56,87 bilhões.

Os cinco casos mostram que o estresse financeiro não está concentrado em um único segmento. Petroquímica, alimentação, varejo, supermercados e energia enfrentam problemas de naturezas diferentes, mas todos são afetados, em maior ou menor grau, pelo custo do dinheiro, pela necessidade de capital e pela dificuldade de manter margens suficientes para sustentar estruturas financeiras elevadas.

O movimento também reforça uma mudança no perfil da crise empresarial brasileira: grandes companhias estão recorrendo à renegociação de dívidas e à reorganização financeira antes que a falta de liquidez comprometa definitivamente suas operações.