A Academia Harley de Taekwondo, pioneira em Maringá, desenvolve por meio da Associação Maringaense de Parataekwondo, um trabalho visando o desenvolvimento pessoal e técnico de atletas paralímpicos que vão desde o desenvolvimento com foco na inclusão chegando ao nível de competições internacionais.
Como é o caso da atleta Camila Macedo, que está em treinamentos na Coreia do Sul, berço do Taekwondo na preparação para aprimorar a parte técnica e na disputa de uma vaga nas Paraolímpicas de 2028 que vai acontecer em Los Angeles, nos Estados Unidos.
A nossa equipe de reportagem foi até a Academia que fica localizada na Praça Pedro Álvares Cabral e conversou com o mestre Harley Ventura, sócio-proprietário do centro de treinamento e Grão-mestre de
O Taekwondo, uma arte milenar que surgiu na Coreia do Sul e veio para Maringá por meio dos irmãos Han que desembarcaram em Maringá nos anos 1970. Com isso, o mestre Harley conta que herdou todos os ensinamentos dos irmãos coreanos e com isso pode ajudar na transformação e popularização do esporte em Maringá.
O atual prédio da academia de Taekwondo fica localizado na Praça Pedro Álvares Cabral, na Avenida Cerro Azul. O prédio foi pensado pelos irmãos Han, em 1979, para abrigar exclusivamente toda estrutura de desenvolvimento do Taekwondo maringaense.
Mestre Harley, contou que conheceu os irmãos Han por indicações para melhorar o comportamento de criança, com isso Harley pegou o amor pelo esporte logo de início. A paixão pelo esporte perdura até hoje, sendo Presidente da Associação de Taekwondo de Maringá.
História do Taekwondo
O esporte ganhou uma série de adaptações para se tornar olímpico. A introdução do Taekwondo como um esporte olímpico ocorreu recentemente. A primeira vez que apareceu nos Jogos Olímpicos foi em Seul 1988, na Coréia do Sul, berço do esporte milenar.
Entretanto, o esporte foi oficializado no quadro olímpico somente em 2000 nos Jogos Olímpicos de Sydney. Se em campeonatos mundiais, o Taekwondo é dividido em 8 categorias, na olímpiadas foram divididos somente em 4 categorias, justamente para a Coréia do Sul não obter
No Brasil, a modalidade também começou a conquistar resultados importantes. Harley cita a medalha conquistada por Natália Falavigna em 2004 como um dos momentos de destaque do país no cenário olímpico.

Parataekwondo
Uma das principais frentes de trabalho desenvolvidas por Harley em Maringá é o parataekwondo. O projeto começou de forma voluntária dentro da academia, em 2017, antes de a modalidade paralímpica ter uma estrutura mais consolidada no país.
O professor explica que existem diferentes classes de atletas com deficiência dentro do parataekwondo, incluindo pessoas com deficiência física, intelectual, neurológica, visual e auditiva, além de atletas que utilizam cadeira de rodas ou outros equipamentos adaptados. Nem todas as classes, porém, participam das competições de luta.
Uma das diferenças entre o taekwondo convencional e o paralímpico está nos golpes permitidos. No parataekwondo, os ataques válidos são direcionados ao tronco, enquanto na modalidade convencional também são permitidos golpes na região da cabeça.
Atualmente, por ainda ser uma modalidade em expansão, não existe a mesma exigência de seletiva estadual observada no taekwondo convencional. Dessa forma, atletas que atendem aos critérios podem disputar diretamente o campeonato nacional.

Camila na disputa por uma vaga paralímpica
Entre os atletas que ganharam projeção internacional está Camila Machado, que esteve recentemente na Coreia do Sul para um período de treinamento com cerca de 40 atletas de diferentes países. A taekwondista, possui ranking mundial e busca uma vaga nos próximos Jogos Paralímpicos. A atleta compete na categoria acima de 67 quilos, considerada peso pesado.
Harley afirma que “Camila vem acumulando resultados em competições nacionais e internacionais e já conquistou medalhas em eventos como o Grand Prix realizado no Rio de Janeiro”.
Além de Camila, outros atletas do projeto, como Pedro, Igor e Erivaldo, também integram o grupo de rendimento e têm como objetivo alcançar competições de maior nível. Até o momento, porém, Camila é a atleta que conseguiu maior projeção internacional.
Segundo Harley, “o crescimento do parataekwondo representa não apenas uma oportunidade esportiva, mas também uma ferramenta de inclusão. A estrutura construída ao longo dos anos permite que atletas tenham acesso ao treinamento e possam desenvolver tanto a prática esportiva quanto a possibilidade de competir em alto rendimento.”
Busca por apoio
Para manter o trabalho, o projeto conta com recursos públicos e privados. Segundo Harley, o município oferece suporte por meio de convênios com associações esportivas de diferentes modalidades. A academia também disponibiliza horários gratuitos para atletas do taekwondo convencional e paralímpico, tanto na formação de base quanto no alto rendimento.
Entretanto, a equipe busca novos patrocinadores para conseguir manter a estrutura. Harley explica que empresas podem realizar aportes por meio da destinação de parte do Imposto de Renda para projetos esportivos aprovados pelo Ministério do Esporte. Segundo ele, a intenção é reduzir a dependência dos recursos públicos e garantir condições para que os atletas continuem participando de competições.
“É um trabalho social que a gente faz com os atletas portadores de deficiência. Muito significativo para a nossa cidade”, afirma Harley, ao destacar também o potencial dos atletas que atualmente buscam espaço no cenário internacional.
Com mais de cinco décadas de taekwondo em Maringá, a modalidade mantém a tradição iniciada pelos mestres Han e, ao mesmo tempo, amplia sua atuação para novas possibilidades. O trabalho desenvolvido atualmente combina formação de base, alto rendimento e inclusão de atletas com deficiência, mantendo a cidade inserida no cenário regional e nacional da modalidade.













