Monólogo Neblina aborda autonomia e pertencimento através de memórias e relatos LGBT+

Espetáculo de Guilherme Veneral estreia em setembro, em Maringá, e utiliza a autoficção para abordar os efeitos do preconceito, ansiedade e renúncia à própria identidade
Guilherme Veneral dirige e protagoniza Neblina. Foto: Erick Costa Domingos
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Estreia, no dia 11 de setembro, no Teatro Barracão, o espetáculo “Neblina”. O monólogo criado e protagonizado por Guilherme Veneral se baseia em memórias do autor e relatos da comunidade LGBTQIAPN+, criando uma atmosfera de autonomia e pertencimento.

O ponto de partida do espetáculo foi uma experiência do autor, onde ele se viu confrontado por lembranças em meio a uma estrada com neblinas.

O projeto oferecerá seis apresentações, todas com entrada gratuita.

 

O espetáculo 

Neblina conta com a co-direção de Mariela Lamberti e Victor Lovato. A montagem usa a autoficção para colocar à cena experiências que transitam entre lembrança, invenção e memória coletiva.

No dia de seu aniversário, o personagem tem seu percurso interrompido quando encontra um corpo no meio da estrada, durante uma intensa neblina. A partir desse acontecimento, episódios, sentimentos e vozes começam a emergir, compondo uma espécie de cartografia íntima permeada  por traumas, descobertas, violências e processos de reconhecimento.

Assim, a neblina também representa a estrutura para uma cena de estados de incerteza e alerta por conta da violência e discriminação. Veneral afirma que a criação nasceu ao tentar entender como o preconceito afeta a autonomia dos sujeitos e a percepção de si.

“Por muitos anos eu sofri com a dificuldade de me identificar no mundo. Houve todo um processo para entender meus próprios sentimentos e não deixar que eles fossem definidos pelo pensamento das pessoas que viviam ao meu redor”.

O diretor Guillherme Veneral. Foto: Erick Costa Domingos

 

Além das vivências do autor, o texto incorpora histórias e sentimentos reconhecidos a partir da convivência com outras pessoas LGBTQIAPN+. Assim, a combinação entre vivências próprias e compartilhadas fez com que Veneral escolhesse fazer uma autoficção, construindo um espetáculo em que se misturam a biografia, memória e invenção. 

“Somos atravessados pelo nosso entorno. Uma convivência afetuosa gera indivíduos afetuosos, da mesma forma que uma pessoa é transformada se vive em ambientes de privação e falta de autonomia”, afirma Veneral.

Além disso, a peça procura materializar o funcionamento de uma mente em permanente atividade: pensamentos que se sobrepõem, lembranças que surgem, além de associações e estados emocionais que se conectam. Desta forma, a montagem também se retrata o autoconhecimento e reconhecimento de si.

“Neblina é uma metáfora cênica sobre um estado de alerta e um espetáculo que debate os malefícios de renunciar a si próprio, ao mesmo tempo em que abre espaço para mostrar o que acontece quando aceitamos quem somos”, explica o artista.

Veneral também lembra que o teatro ocupa um lugar decisivo nesse percurso. “O teatro foi o lugar onde eu pude me encontrar e saber que, em cena, é possível dar luz para todo sofrimento, assim como é possível celebrar, dia após dia, quem eu sou hoje e sempre fui.”

 

Oficina de autoficção

Antes da estreia de “Neblina”, o projeto oferece, no dia 27 de agosto, a Oficina de Autoficção, conduzida por Mariela Lamberti, no Centro de Ação Cultural Márcia Costa (CAC). A ação ocorre das 19h às 22h, com inscrições gratuitas.

Durante a oficina, os participantes vão investigar possibilidades da escrita autobiográfica dentro do processo criativo. Fotografias, músicas, cartas e outros dispositivos servirão como pontos de partida para exercícios que aproximam experiência vivida e invenção, explorando justamente a região de fronteira que caracteriza a autoficção.

Sobre Mariela

A artista Mariela Lamberti. Foto: reprodução

Psicóloga, escritora e artista da cena, Mariela desenvolve pesquisa sobre narrativas e autobiografias. É doutora pelo Instituto de Artes da Unesp, mestre pela USP e graduada em Psicologia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Sua trajetória articula teatro, escrita e clínica, com interesse especial pelas relações entre memória, narrativa e cena.

A atividade integra as ações de contrapartida do projeto e propõe uma aproximação prática com a linguagem que está na origem da dramaturgia do espetáculo.

Outras apresentações

Além da oficina, o projeto realiza um ensaio aberto no dia 31 de agosto, às 19h, no Teatro Barracão. A temporada oficial terá apresentações nos dias 11, 12, 13, 18, 19 e 20 de setembro, sempre às 20h. 

 

SERVIÇO

Oficina “Do texto à cena”

Ensaio aberto “Neblina”

  • Data: 31 de agosto de 2026

  • Horário: 19h

  • Local: Teatro Barracão, em Maringá (PR)

  • Atividade: contrapartida do projeto

Temporada “Neblina”

  • 11 de setembro – 20h

  • 12 de setembro – 20h

  • 13 de setembro – 20h

  • 18 de setembro – 20h (sessão de contrapartida)

  • 19 de setembro – 20h

  • 20 de setembro – 20h

Local: Teatro Barracão, Praça Professora Nadir Cancian, s/n, Zona 7, em Maringá (PR).

Ficha técnica

  • Co-direção: Mariela Lamberti e Victor Lovato

  • Coordenação de produção e produção executiva: Barbara Bittencourt

  • Texto e atuação: Guilherme Veneral

  • Direção musical: Nicholas Emmanuel

  • Trilha sonora: Nicholas Emmanuel, Chá di Lirian e Mateus Rossato

  • Sonoplastia: Nicholas Emmanuel

  • Iluminação: Victor Lovato

  • Figurino: Jo Serbai

  • Acessibilidade: Forféu – Renan Parma e Pedro Siena

  • Fotos e vídeos: Erick Costa Domingos

  • Comunicação: Madá Criativa

  • Designer e identidade visual: Naju Campos

Projeto contemplado no Edital de Fomento Aniceto Matti nº 051/2025, da política de incentivo à Cultura de Maringá.