Novas regras de arbitragem para o futebol brasileiro serão adotadas imediatamente

Serão utilizadas para todas as divisões do Brasileirão, Copa do Brasil e Feminino A1, antecipando uma aplicação prevista apenas para 2028
Foto - Luciana Vermel - CBF
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A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) realizou nesta segunda-feira (10), na Barra da Tijuca (RJ), a terceira reunião com clubes das Séries A e B para a criação da Liga do Futebol Brasileiro. O encontro marcou a decisão de adotar, de forma imediata, novas regras de arbitragem da IFAB — utilizadas na Copa do Mundo — para todas as divisões do Brasileirão, Copa do Brasil e Feminino A1, antecipando uma aplicação que estava prevista apenas para 2028.

 

A iniciativa surge após diagnósticos apontarem a necessidade de valorizar o futebol nacional. Com receita de 1,8 bilhão de euros na temporada 2024/2025, o Brasileirão ainda arrecada longe de ligas como a Premier League (7,5 bilhões de euros) e La Liga (5,7 bilhões de euros). Para reverter a subvalorização do produto, a entidade projeta investir R$ 200 milhões em arbitragem entre 2026 e 2027, utilizando o diálogo e a modernização do regulamento como ponto de partida.

 

O principal foco das mudanças é aumentar o tempo de bola rolando nas partidas. Estudo inédito da CBF Academy com a OPTA indicou que, em 2026, a Série A registrava média de 52m54s de jogo corrido, abaixo da meta de 60 minutos da FIFA e de ligas europeias. O levantamento revelou ser possível recuperar cerca de 6 minutos por jogo com ajustes na marcação de faltas, reposições de bola, atendimentos médicos e checagens do VAR e impedimento semiautomático.

 

Para atingir a meta, entram em vigor medidas severas de dinamização: contagem de oito segundos para o goleiro soltar a bola (sob pena de escanteio para o rival), limites de tempo para laterais, tiros de meta e substituições, além da exigência de que o atleta atendido no gramado permaneça um minuto fora de campo. Ficou definido também que apenas o capitão poderá dialogar com o árbitro em situações específicas e que haverá ampliação nas intervenções do VAR.

 

O presidente da CBF, Samir Xaud, ressaltou que as transformações dependem da união do ecossistema esportivo. “Esta é mais uma reunião baseada no diálogo e de forma democrática para falar de um novo regulamento e das regras da Copa do Mundo. Faz parte da reestruturação do futebol brasileiro, uma missão da CBF, dos clubes e das federações”, declarou. O vice-presidente Gustavo Dias Henrique lembrou que o processo exige paciência, investimento contínuo em tecnologia e apoio dos dirigentes.

 

A expectativa da FIFA é que o pacote de mudanças gere um ganho médio de 5 minutos e 49 segundos de bola rolando por partida, tornando o espetáculo mais fluido e atraente. O ciclo de debates para a elaboração do regulamento da temporada 2027 continuará no dia 14 de setembro, em reunião do conselho técnico focada na organização de competições.