Maringá — Anos de dietas restritivas, rotinas exaustivas de exercícios e, em muitos casos, a frustração de passar por uma cirurgia bariátrica sem conseguir reduzir o volume das pernas. Esse é o histórico frequente de mulheres que sofrem com o lipedema, uma doença inflamatória crônica de origem hormonal e genética. O maior obstáculo para o tratamento, contudo, costuma ser o erro de diagnóstico, que confunde a condição com a obesidade comum e gera um severo fardo de autoculpabilização.
O cenário foi detalhado pelo médico Luiz Eduardo Bersani Amado, fundador da MedInfuse Maringá, em entrevista ao jornalista Ronaldo Nezo no podcast Ponto a Ponto, do portal Maringá Post. Eduardo Amado destacou o alívio emocional de suas pacientes ao receberem a resposta correta. “Quando ela descobre que é uma doença, ela desaba. Ela fala: ‘Eu lutei a minha vida inteira com isso’. Há uma carga emocional muito presente na mulher, que sempre teve vergonha de vestir um biquíni ou um vestido”, relata.
Diferente da obesidade tradicional, o lipedema é caracterizado pelo acúmulo desproporcional de células de gordura doentes, concentradas quase sempre nos membros inferiores, provocando dores constantes, sensação de peso e hematomas ao menor impacto.
Eduardo Amado ressalta que, por se tratar de uma patologia multifatorial, a linha de cuidado exige uma abordagem integrada que envolve a desinflamação do organismo, o manejo hormonal e o tratamento das comorbidades associadas.
O especialista esclarece que o alinhamento de expectativas é fundamental no início do acompanhamento. Enquanto para pacientes mais jovens o foco pode incluir a busca por melhorias estéticas — muitas vezes associadas a procedimentos cirúrgicos posteriores —, para mulheres na maturidade o objetivo central é a recuperação da mobilidade.
“O foco clínico inicial é a melhora da dor e dos hematomas para que essa mulher consiga viver bem, caminhar e frequentar a igreja sem o fardo do inchaço e do sofrimento físico crônico”, conclui.
Serviço
A entrevista com o médico Eduardo Amado sobre o tratamento do lipedema, o uso clínico de hormônios e os riscos do emagrecimento rápido está disponível no YouTube. Assista ao episódio completo do podcast Ponto a Ponto no canal do Maringá Post.























