Em entrevista ao Ponto a Ponto, o secretário de Segurança Pública faz um balanço das ações operacionais, defende o poder de polícia da Guarda Municipal e rebate críticas ideológicas ao setor.
Gerenciar o aparato de proteção de uma cidade com 450 mil habitantes e transformar uma estrutura defasada em uma força de segurança integrada e eficiente. Esse é o desafio central da Secretaria de Segurança Pública de Maringá, cuja atuação tem se tornado vitrine por meio dos resultados operacionais da Guarda Civil Municipal.
Para analisar as mudanças estratégicas na pasta, o uso de tecnologia e o avanço nos indicadores de produtividade, o podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, recebeu o secretário municipal de Segurança e delegado de Polícia Civil, Luiz Alves.
Em uma conversa direta com o jornalista Ronaldo Nezo, o secretário e vereador licenciado detalhou o panorama encontrado ao assumir o cargo na gestão do prefeito Silvio Barros, criticou interferências ideológicas na atividade policial e defendeu a tolerância zero contra a criminalidade.
Da Polícia Civil à gestão pública
A trajetória de Luiz Alves na segurança pública começou de maneira não planejada no Rio de Janeiro, em 2001, quando ingressou na Polícia Civil como inspetor. Após passar pela magistratura eleitoral e atuar como delegado de Polícia no Mato Grosso do Sul, o profissional fixou residência no Paraná em 2014, assumindo a delegacia de Maringá em 2016. A transição para a política ocorreu em 2020, motivada por episódios de injustiça decorrentes de contextos políticos em sua carreira funcional.
“Concluí em 2019, ali no final de 2019, que a única forma de a gente mudar alguns posicionamentos, alguns comportamentos, é tentar adentrar no meio do caos, onde você cria ou pode resolver os problemas, que é no campo político”, relata o secretário, que foi eleito vereador com 2.000 votos em 2020 e reeleito com 5.488 votos em 2024.
O convite para assumir o Executivo foi visto como uma missão inadiável para recuperar o setor. “O aparelho de segurança do município estava obsoleto. Eu costumo dizer que a gente estava praticamente respirando por aparelhos, estávamos começando a desligar os aparelhos, mas ainda estamos na UTI, em estado grave”, compara.
Guarda Municipal: mais resultados
Um dos pilares da gestão de Luiz Alves é a consolidação jurídica e prática da Guarda Civil Municipal como uma força policial legítima, superando visões restritivas que limitavam os agentes à vigilância estática de prédios públicos.
“A Guarda tem o dever de cuidar do patrimônio público. Aí coloca a Guarda só para cuidar dos prédios. Aí eu vou devolver uma pergunta. Rua é o quê? Calçada? Praça? Bosque? Parque? O que que é isso? Tudo é patrimônio público. A Guarda está operando nas ruas da cidade, que é o patrimônio público”, argumenta o delegado, respaldado pelo entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF).
A mudança de postura e a aplicação de inteligência na análise de dados geraram um salto expressivo nos índices de produtividade entre os anos de 2024 e 2025, utilizando o mesmo efetivo. O cumprimento de mandados de prisão nas ruas saltou de 17 para 119 — um aumento de 600%. As abordagens a suspeitos cresceram de 373 para 1.396, enquanto os veículos recuperados subiram de 17 para 71 ocorrências.
A resposta da população veio no aumento das chamadas para o telefone de emergência 153, que passou de 16,7 mil para mais de 20,8 mil ligações. “Isso reflete a confiança do cidadão no teu trabalho. Porque quando o cidadão começa a confiar que o seu trabalho tá funcionando, aí ele começa a te demandar mais”, avalia.
Enfrentamento nas ruas e críticas à ideologia
O secretário abordou com firmeza a complexa questão da população em situação de rua, apontando que a maioria enfrenta a dependência química e que, infiltrados nesse grupo, encontram-se criminosos foragidos. Segundo ele, 90% dos 119 mandados de prisão cumpridos foram de indivíduos nessa condição.
Luiz Alves foi enfático ao rebater discursos ideológicos que tentam cercear as abordagens preventivas ou relativizar a conduta de infratores. “Aparece aqueles defensores de marginal. Marginal, ele vai ali e compra uma arma, sei lá onde, no mercado paralelo, e fica assaltando por aí… O erro é esse que muita gente às vezes quer justificar o erro do malfeitor. Ele escolheu fazer aquilo ali errado. Assim como você escolheu fazer o certo. E você não pode punir quem quer fazer o certo”, assevera.
Para resolver o problema na raiz e evitar a degradação dos espaços públicos, o delegado defendeu as vistorias constantes. “Quando eu falo nosso território é do município, território do cidadão de bem não é de marginal. Então marginal não pode, não vai ser aceito. Marginal, na verdade, não é bem-vindo nem em Maringá. Isso tem que ficar claro para o marginal”, adverte.
Como solução de longo prazo, o secretário sugeriu ao prefeito a criação de uma força-tarefa multidisciplinar, unindo segurança, saúde e assistência social para triagem, tratamento médico e encaminhamento profissional dos vulneráveis.
Tecnologia e combate às “cracolândias”
O monitoramento eletrônico recebeu atenção especial na entrevista. Alves apontou que o sistema de câmeras adquirido na gestão passada foi entregue subutilizado e sem contrato de manutenção, tornando-se obsoleto. A atual administração reestruturou o setor e implementou efetivamente o conceito de Muralha Digital, permitindo leituras de placas e reconhecimento facial.
“O centro, a gente, com gestão, estratégia e inteligência, melhorou, potencializou o uso. Sem upgrade. Agora a gente precisa dar um upgrade nela, fazê-la ser funcional, ter manutenção”, explica. O município também realiza testes operacionais com câmeras corporais de alta tecnologia nas fardas, capazes de fazer tradução simultânea de idiomas e registrar ocorrências automaticamente, garantindo a lisura das ações.
A prioridade tecnológica e operacional tem foco claro: impedir o estabelecimento de territórios do tráfico. “Combatemos com prioridade: evitar a formação de cracolândia na nossa cidade… Hoje não tem mais esses bolinhos por aí. Alguns tentam dizer que tem, mas não tem. Procurar me mostra que a gente vai lá e desfaz. Não tem, não tem problema. A gente não tem medo de combater isso aí”, garante o secretário.
Metas e futuro político
Apesar de estar licenciado da Câmara Municipal, Luiz Alves reitera seu perfil focado no Poder Executivo e na entrega de metas tangíveis. O plano inclui a incorporação de novos guardas municipais — cujo processo de formação dura cerca de seis meses — e a destinação de novas viaturas e armamentos pesados, como fuzis e metralhadoras, mediante treinamento específico. A estrutura da secretaria também ganhou eficiência com a mudança recente para uma nova sede integrada na Avenida Rebouças.
Sobre as ambições eleitorais e a possibilidade de concorrer ao cargo de deputado, o delegado mantém o foco no planejamento atual. “Gosto de trabalhar para melhorar a cidade de Maringá… Eu tenho que viver o momento de entrega e de objetivo que eu tenho agora, que é o quê? Fazer com que Maringá seja uma das cidades, se não a mais segura, mas uma das mais seguras do país”, conclui.
Serviço
O episódio completo do podcast Ponto a Ponto com o delegado Luiz Alves está disponível no canal do Maringá Post no YouTube e nas principais plataformas de áudio. A produção é realizada pelo Maringá Post em parceria com o VMark Estúdio.


















