Medicar um pet sem consultar um veterinário pode ser perigoso 

Muitas vezes, ao invés de levarmos ao veterinário, vamos atrás de um remédio por conta própria acreditando que ele trará alguma melhora. No entanto, não podemos esquecer que muitas drogas podem ser nocivas. Ter medicamentos em casa não quer dizer que seja seguro e que é a solução para qualquer caso de doença. Se você tem dúvidas sobre medicações para cachorros, fique atento às informações que trouxemos para que tenha mais segurança e conhecimento a respeito de substâncias que nem sempre podem fazer bem.

Remédio para pessoas X remédio para cachorro

A quantidade de medicamentos destinados aos cachorros está aumentando. Isso causa dúvidas sobre a relação com remédios para humanos. O que difere uns dos outros são as doses, que devem ser ajustadas de acordo com o peso do animal. Do ponto de vista farmacológico, não há diferença entre os medicamentos para humanos ou para animais.

Outra coisa a ser pensada é que podemos encontrar alguns remédios com mais facilidade em uma farmácia convencional. No entanto, quando os remédios são fabricados para pets, os benefícios são maiores porque não corremos o risco de errar na dosagem. Além disso, os comprimidos são compatíveis com o tamanho dos bichos, o que facilita a ingestão, afirma a Dra. Livia Romeiro do Vet Quality Centro Veterinário 24h.

No caso dos cachorros, eles não entendem que devem engolir. Nesse caso, alguns medicamentos palatáveis facilitam a administração. Pode acontecer de seu pet necessitar de um remédio que não tenha formulação veterinária. Se isso acontecer, os médicos recorrem aos remédios para humanos e readaptam a dosagem.

Remédios humanos que podem ser prejudiciais em cães

Assim como acontece com a gente, alguns medicamentos, ao invés de trazer alívio, podem fazer muito mal para os cães. Dosagem inadequada e erro no diagnóstico são exemplos de situações que podem gerar consequências graves.

Sempre temos em casa aquela caixinha de remédios que utilizamos em casos de alguns males, como dor de cabeça, indigestão, dor muscular e resfriado. Quando nosso pet não está bem, associamos os sintomas aos nossos e decidimos dar os mesmos remédios que nós tomamos. Mesmo existindo drogas para humanos que animais podem usar, algumas fazem parte da lista de alerta.

Não dê por conta própria antiinflamatórios, como piroxicam, diclofenaco e ibuprofeno. Antissépticos de vias urinárias, como sepurim e pirydium, paracetamol e aspirina também são prejudiciais. Anestésicos e enxaguantes para boca e garganta, antidepressivos, descongestionantes nasais e antigripais não devem ser dados a cães.

E se meu pet ingeriu algum medicamento?

Por mais que a gente tenha prudência e atenção, alguma coisa pode acabar passando. Como ele não tem consciência do perigo, acaba ingerindo, o que pode desencadear em reações como apatia, diarreia, vômito, falta de apetite, convulsões prostração intensa, dor abdominal ou dificuldade para respirar.

Não importa se é medicamento para bicho ou para gente. São tóxicos do mesmo jeito se inseridos na dosagem errada e, principalmente, se o cão não estiver em tratamento.
Exemplos disso são vermífugos. Alguns possuem cheiro e gosto atrativos justamente para que o pet tome sem maiores problemas. No entanto, a superdosagem pode causar alto nível de intoxicação.

Em casos de ingestão inadequada, não devemos dar leite, receitas caseiras ou mais remédios, principalmente para vômito ou diarreia. Você deve levar seu amigo imediatamente ao veterinário e ele saberá como contornar a situação.

Receitas de remédios caseiros podem causar grande perigo. As substâncias utilizadas podem gerar efeitos colaterais negativos para os cachorros. Além da intoxicação, a possibilidade de a receita caseira não ter resultado satisfatório algum sobre a enfermidade é grande e ainda pode causar problemas secundários.

Consultar um veterinário é sempre a melhor opção

Para não agravar o problema de saúde de seu animal, opte sempre por um veterinário. Ele é a única pessoa capacitada para identificar o real problema do seu amigo e solicitar um tratamento adequado.

Medicar animais exige conhecimento profissional e não deve ser feito por tutores. Além disso, não tire dúvidas com o atendente da loja de rações ou pet shop. A vida do seu amigo vale uma consulta médica. Nem sempre economizar é o melhor caminho. Além de não solucionar o problema, você pode mascará-lo ou causar intoxicação grave, o que é muito ruim. Além de prescrever a medicação adequada, profissional poderá indicar quais são os lugares confiáveis para adquiri-la. É importante que você compre em farmácias veterinárias ou pet shops especializados.

Se optar por uma compra pela internet, pesquise o histórico dos estabelecimentos. Uma boa avaliação dos compradores reduz o risco de comércio ilegal de remédios falsificados ou fora do prazo de validade.

O cuidado é sempre o melhor remédio

A única pessoa que conhece o comportamento e a personalidade do seu cachorro é você. É importante saber se ele tem costume de brincar com tudo que está ao seu alcance. Para evitar acidentes, mantenha os remédios em locais onde seu amigo não possa ter acesso. Lugares altos, armários fechados e gavetas são exemplos onde você pode deixar guardado com segurança.

Caso seu pet necessite de medicação, informe-se sobre a melhor forma de administrá-la, sem causar lhe estresse. Muitas vezes, optamos pelo caminho mais fácil e misturamos o remédio com algum petisco. No entanto, é preciso atenção. Alimentos, como a salsicha e outros embutidos são tóxicos. É preciso ter soluções seguras para fazer com que o cachorro tome o remédio. Você pode utilizar a seguinte técnica:

Coloque o cachorro entre suas pernas, tomando cuidado para não apertar seu pescoço, e levante o focinho. Abra a boca dele com cuidado e tente colocar o comprimido o mais próximo da garganta.

Lívia Romeiro
Radiologista Veterinária e especialista em comportamento canino. Graduação em Medicina Veterinária pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Especialização em Diagnóstico por Imagem pela Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais de São Paulo (ANCLIVEPA-SP)