Piodermite em cães e gatos

Piodermite em cães e gatos

Todos nós que militamos na área de Dermatologia de cães e gatos ficamos por vezes estarrecidos e enfadados ao ver tantos casos de uma mesma doença: AS PIODERMITES.

Piodermite nada mais é do que uma infecção bacteriana da pele (pio = pus, dermite = inflamação da pele). Podemos também chamá-las de foliculites bacterianas pois, via de regra, estas infecções envolvem os folículos pilosos, que são os locais da pele de onde nascem os pelos.

Existem inúmeras causas para que elas aconteçam, isto porque a bactéria, principal causadora da doença em cães e gatos, é o Staphylococcus pseudointermedius, que também faz parte da própria microbiota cutânea, isto é, vive na pele normal dos animais saudáveis sem causar nenhum problema. Então, sempre há um fator desencadeante que faz com que se quebre o equilíbrio entre a população bacteriana e o hospedeiro, levando a uma proliferação bacteriana excessiva e sem controle, o que ocasiona as lesões e os sintomas característicos.

Este é o principal motivo que torna as piodermites tão frequentes: o fato de serem manifestações de várias outras doenças, tais como: dermatites parasitárias (escabiose e demodiciose), micoses superficiais e profundas (dermatofitose, esporotricose, criptococose), alergias (atopia, hipersensibilidade alimentar, alergia a picada de ectoparasitas), endocrinopatias (hipotiroidimso, hiperadrenocorticismo, alopecia X),
deficiências nutricionais (hipozincemia, vitamina A, dermatite genérica alimentar), hepatopatias e doenças autoimunes.

Lesões clássicas de piodermite canina, com pústulas rompidas, colarinhos e crostas. (foto: Cibele Nahas)

Como são as lesões?Embora o nome da doença indique que deve haver a presença de pus, isto não ocorre na maioria das vezes. As lesões se manifestam de múltiplas formas: pápulas (pequenas elevações) avermelhadas recobertas por crostas (vulgarmente seriam “casquinhas”), pequenas bolhas com pus (pústulas), perda de pelame de forma circular recoberta por escamas, úlceras (perda de tecido profunda), erosões (perdas superficiais de tecido).

Pústulas e pápulas em um Golden Retriever com foliculite superficial. (foto: Cibele Nahas)
Lesões alopécicas (sem pelos), circulares e descamativas, manifestações comuns em piodermites de cães de pelo curto. (foto: Cibele Nahas)
Crosta melicérica e erosão em cão Pit Bull com Dermatite úmida aguda. (foto: Cibele Nahas)

Como pode ser dado o diagnóstico?

O clínico pode fazer isto através do aspecto das lesões e da citologia do material (análise microscópica). Por vezes, se torna também necessária a cultura microbiológica e antibiograma do material obtido das lesões.

O mais importante, contudo, não é diagnosticar a piodermite, mas sim identificar as suas causas. Para isto, o veterinário deve fazer uma investigação detalhada quanto a possíveis alergias, seborreia, sarna negra, desequilíbrios hormonais, presença de pulgas ou de outros parasitas, carências nutricionais, micoses, doenças autoimunes, etc. Por fim, há casos em que não se descobre a causa, e estes são chamados de idiopáticos.

O tratamento consiste no uso de antibióticos, xampus antissépticos ou anti-seborreicos e, principalmente, na identificação e correção das causas de base.

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