Coelho – ele pode ser bicho de estimação?

Coelho: ele pode ser bicho de estimação?

O coelho doméstico ou europeu pode ser alojado tanto em ambiente interno quanto externo. Alimentado com dieta peletizada (ração) facilmente obtida, pode ser utilizado como animal de estimação. Estes animaizinhos tão atraentes são descendentes de coelhos selvagens da região oeste da Europa e noroeste da África. Vale lembrar que as lebres pertencem a um gênero diferente.

Lebres e coelhos são frequentemente e incorretamente confundidos. Os coelhos nascem desprovidos de pelos e necessitam de cuidados maternos, enquanto as lebres nascem com pelos e olhos abertos.

Os coelhos não são considerados roedores. Suas patas são s locais quando mantidos em ambientes inadequados. Gaiolas de arame geralmente causam pododermatites ulcerativas (feridas) nas regiões de contato com o arame. Suas unhas são muito afiadas, e caso sejam pegos de maneira inadequada podem causar ferimentos doloridos na pessoa que os esteja segurando.

Os coelhos são territorialistas e demarcam seu território utilizando três glândulas para este fim: chin glands (glândulas do “queixo”), anal glands (glândulas do “ânus” ou anal) e inguinal glands (glândulas inguinais). Machos marcam o território mais do que as fêmeas. Como em todos os animais considerados presas, os órgãos sensoriais são bem desenvolvidos.

Lebre

Os coelhos possuem membrana nictante ou terceira pálpebra bastante desenvolvida. Dotados de um amplo ângulo de visão, esta pode atingir 190 graus para cada globo ocular. A grande capacidade de dilatação da pupila resulta numa sensibilidade à luz aproximadamente oito vezes maior que a do homem.

As orelhas do coelho, altamente vascularizadas, funcionam também como órgão regulador da temperatura, bem como receptores de som. Estas estruturas são frágeis e não devem ser utilizadas com finalidade de contensão. Ou seja, segurar os coelhos pelas orelhas, como muitos fazem, é errado e pode machucá-los.

A alimentação é feita com ração peletizada para coelhos, de boa qualidade, e pode ser suplementada com folhas verdes escuras e tubérculos em quantidades adequadas.

As variações normais dos valores fisiológicos em um coelho doméstico (Oryctolagus cuniculus) saudável estão relacionados na abaixo:

  • Macho adulto: PESO 2-5 KG
  • Fêmea adulta: PESO 2-6 Kg
  • Temperatura retal: 38,5-40,0 CELSIUS
  • Frequência cardíaca: 180-250 BATIMENTOS/MINUTO
  • Frequência respiratória: 30-60 MOV./MINUTO
  • Consumo diário de comida: 50 gr/Kg
  • Produção diária de fezes: 5-18 gr/KG
  • Consumo diário de água: 50-150 ml/Kg
  • Excreção diária de urina: 10-35 ml/Kg
  • Maturidade sexual / macho: 22-52 SEMANAS
  • Maturidade sexual / fêmea: 22-52 SEMANAS
  • Vida reprodutiva / macho: 60-72 MESES
  • Vida reprodutiva / fêmea: 24-36 MESES
  • Gestação: 30-33 DIAS

São muitas as patologias ou agentes infecciosos que acometem os coelhos. Os problemas mais comuns são:

  • Ácaros: os coelhos são comumente afetados por ácaros. Normalmente, estes parasitas externos atuam sobre uma determinada espécie, mas podem também parasitar espécies semelhantes. A maioria dos ácaros vive sobre a superfície da pele do hospedeiro e alimentam-se de descamações da pele e fluidos dos tecidos. No coelho, há uma espécie de ácaro que atinge o pavilhão auricular (parte interna das orelhas), e outras 2 espécies de ácaro que atingem a pelagem. A transmissão de ácaros ocorre por contato direto com os outros animais infectados, crosta de descamação ou material de cama contaminado. Falha na resposta imune, variações no comportamento de auto limpeza e predisposição da espécie são os fatores principais. Lembrando que a baixa temperatura e a alta umidade favorecem a sobrevivência dos ácaros fora do hospedeiro. Assim evite alojar coelhos em locais nessas condições.
  • Anorexia ou falta de apetite: é um problema considerado grave e agudo. Privação de água, temperaturas extremas, dieta não palatável ou imprópria, alteração brusca da dieta, má oclusão dos dentes, dor, perda de olfação, estresse, distúrbios metabólicos, toxemia, tricobezoar (parasita), neoplasia e fatores mecânicos que impedem o acesso à comida são condições diretas relacionadas com a perda do apetite. Em minha experiência, os problemas mais comuns que observo, concomitantemente com anorexia ou levando à anorexia, são as alterações na cavidade oral (processos traumáticos por brigas e super crescimento dos dentes incisivos e molares), e enteropatias (problemas intestinais).
  • Encefalitozoonose ou nosematose: é uma patologia sem cura. O agente causador da encefalitozoonose é um parasita (protozoário), Encephalitozoon cuniculi. O contato da urina com a mucosa oral é a mais importante via de transmissão, embora a contaminação oral-fecal, respiratória e transplacentária também possam ocorrer. A maior contaminação ocorre entre a mãe e o filhote. Coelhos jovens, nos quais os anticorpos maternos perduram por cerca de quatro semanas, estão em risco crescente de desenvolver a doença na forma clínica, caso sejam alojados em condições de baixo padrão sanitário ou sejam alimentados e recebam água em vasilhas de barro.

Como observado acima, muitos são os problemas pelos quais nosso amiguinho pode vir a ser acometido. Acredito que o mais importante é seguirmos as orientações básicas citadas neste texto, sempre ter à disposição um médico veterinário capacitado, não só para resolver os problemas, mas para orientar os proprietários na prevenção das mesmas.

Nunca medique seu animal sem conhecimento do médico veterinário. Alguns antibióticos que são excelentes para outras espécies, podem ser fatais quando administrados aos coelhos com flora intestinal específica. Não cometa erros! Na rotina da clínica, recebemos animais mal medicados ou medicados para doenças que não possuem.

Referências:
CUBAS, S. C.; SILVA, J. C. R.; CATÃO-DIAS, J. L. Tratado de animais selvagens. São Paulo:  Roca, 2007. 1354 p.

HARKNES, J.; WAGNER, J. Biologia e Clínica de Coelhos e Roedores. São Paulo: Roca, Terceira edição, 1993. 238 p.