Aprenda a construir um terrário para répteis

Construindo um terrário para répteis

Terrário é o local no qual o animal viverá, portanto o mesmo deve aproximar-se o máximo possível do ambiente natural. Os terrários devem ser montados fornecendo-se várias opções para os animais como: lâmpada de aquecimento, lâmpada que forneça raios ultravioletas, água limpa, substrato, pedras aquecidas, troncos ou galhos, vegetação natural ou artificial.

Tamanho
O cálculo do tamanho do terrário não é uma tarefa muito fácil, mas podemos utilizar as seguintes dicas:

  • para serpentes, pode-se calcular o comprimento do terrário como sendo uma vez e meia o comprimento do animal.
  • répteis arborícolas e lagartixas exigem cativeiros mais altos e o comprimento deve dar, ao animal, condições plenas de deslocamento, como pequenas corridas e saltos.

Cativeiros pequenos e comunitários necessitam de uma boa elaboração. Uma outra “regrinha” é a de que o animal ocupe uma área de 30% da área total do terrário.

Tipos
Abaixo citarei, de forma sucinta, alguns tipos de terrários; lembrando que existem pequenas variações dependo da fonte pesquisada:

1. Clima seco e temperado – próprio das regiões do sul da Europa, Ilhas do Mediterrâneo, norte da América, Chile, Austrália. Os répteis são acostumados a suportar verões de 40 graus Célsius. O terrário deverá ter temperatura alta durante o dia, para depois descer ligeiramente durante a noite. É necessário a diminuição notável da temperatura durante uns 3 a 4 meses no ano, para permitir que os animais hibernem e possam desenrolar corretamente todos os seus ciclos biológicos, principalmente no que se refere a reprodução. Deparamos com algum problema pois os terrários, dificilmente, conseguem baixar muito a temperatura.

2. Seco tropical – destinado a animais próprios do deserto e estepes. Em todas as regiões cálidas do globo. As temperaturas diurnas devem ser mais elevadas que no caso anterior( 40 graus Célsius). Por isso, será imprescindível a utilização de um aquecedor durante o dia o ano todo. Estes animais não hibernam.

3. Úmido temperado – reunirá as condições necessárias para albergar a grande variedade de répteis e anfíbios que habitam estes lugares úmidos da região temperada. A temperatura não deve se elevar muito além de 20 graus Célsius e necessitam hibernar alguns meses. Os anfíbios adequados para este terrário são aqueles que só procuram a água na época da reprodução. Nunca situar o terrário em local com incidência direta do sol.

4. Úmido tropical – este terrário estará destinado a todos os animais que, em sua maioria, são de costumes tipicamente arborícolas e trepadores. Por este motivo é recomendado que o terrário seja mais alto e provido de abundantes elementos vegetais. A umidade deverá se saturante, a luz difusa (nunca solar direta), e a temperatura de 28 à 30 graus Célsius, poderá manter-se constante durante o ano.

5. Aquaterrário temperado – parecido com o terrário úmido temperado com adição de certa massa de água. Aqui as possibilidades são verdadeiramente muito variadas, pois a água pode estar numa cuba suficientemente profunda, separada da parte terrestre por uma divisão; pode estar por todo o espaço com algumas ilhas de “terra firme”, etc.. A temperatura da água deve oscilar entre 15 à 25 graus Célsius ( a água para umidade e a terra para tomar sol).

6. Aquaterrário tropical – poderá ter também a parte terrestre seca ou úmida segundo os animais que a vão albergar. Os aquaterrários úmidos são apropriados para a maioria das rãs tropicais, mas para muito poucos répteis. Para isto, tartarugas ou crocodilos, será necessário uma parte terrestre ampla e muito quente, em que possam passar várias horas tomando sol ( ou as radiações ultra violetas com que o substituímos ). Haverá de ter o cuidado de que o ar deva estar em concordância com o resto.

Aquecimento
O aquecimento pode ser realizado de várias formas, dependendo da necessidade do animal. O aquecedor de cerâmica é indicado para serpentes, répteis arborícolas e desérticos; deve ser instalado na lateral ou teto protegido por tela. A rocha aquecida só não serve para lagartixas e anfíbios, e é instalado no substrato. O aquecedor que fica aderido na parte externa do vidro, é chamado de aquecedor em placa ou heater pad, e é indicado para lagartixas e anfíbios tropicais. Para répteis noturnos, serpentes e lagartixas, utiliza-se lâmpadas de infravermelho e deve ser instalada na lateral ou teto do terrário, sendo protegida por tela.

Iluminação
A iluminação, como citado anteriormente, é extremamente importante na manutenção adequada de um réptil em cativeiro. Uma das lâmpadas mais utilizadas é a Reptile Day Light, que serve para todos os répteis, fornece UVA + UVB, é fluorescente e o fotoperíodo de utilização é o diurno. A Reptile Day Light incandescente fornece UVA, serve para todos os répteis, o fotoperíodo é o diurno. Outra lâmpada para o fotoperíodo diurno é a Reptile Spot Lamp incandescente, radiação principal UVA e não serve para os répteis noturnos. Para os répteis noturnos utiliza-se a Reptile Night Light incandescente, raios UVA e fotoperíodo noturno. A lâmpada Grow – Lux (utilizada em aquarismo) fluorescente, emite traços de raios UVA + UVB, fotoperíodo diurno, servindo para serpentes, anfíbios e répteis noturnos.

Para camaleões, serpentes e anfíbios também podemos utilizar a Actinic Blue (5.550 K) associada à luz do dia; é uma lâmpada fluorescente, com fotoperíodo diurno emitindo traços de raios UVA + UVB.

Ornamentação
Podemos utilizar vários materiais como por exemplo o saibro, areia de construção, cascalho de rio, vermiculita, terra vegetal, esfagno seco, moss, pó de xaxim, húmus de minhoca, folhas secas, litter, jornal, carpetes sintéticos, troncos ou galhos e o abrigo.

É importantíssimo salientar que para a ornamentação e forração do terrário, faz-se necessário conhecer necessidades da espécie que será alojada no terrário!

Leia também:
escolhendo um réptil adequado e sadio

Referências:
FRYE, F. L. Reptile care. An atlas of diseases and treatments. Neptune City, N.J. (USA): TFH Publications, USA, 1991. 656p.
MADER, D. Reptile medicine and surgery. St. Louis, Missouri: Saunders Elsevier, 1996. p.512.
MADER, D. Reptile medicine and surgery. St. Louis, Missouri: Saunders Elsevier, 2006. p.1242.
MESSONNIER, S. P. Common Reptile Diseases and Treatment. Blackwell Science, USA, 1996. 174p.
WILSON, G. H. The Veterinary Clinics of North America. Exotic Animal Practice. W. B. Saunders Company, Philadelphia, 2004. 199p.