Imunoterapia para tratar problemas de pele no cão

Imunoterapia para tratar problemas de pele no cão

Muitos já ouviram falar sobre a revolucionária descoberta da Penicilina por Fleming em 1927, mas poucos sabem que ele foi o primeiro observador da resistência natural dos microorgamismos aos antibióticos. O aumento do fenômeno da resistência reside no fato da existência de genes bacterianos que agem impedindo a ação das drogas. Sem duvida, o uso clínico de forma indiscriminada dos antimicrobianos, exerce papel selecionador de microrganismos mais resistentes.

Para exemplificar, uma das bactérias isoladas com grande incidência nas doenças de pele dos animais, o Staphylococcus aureus, encontrada nas feridas, mostram atualmente resistência a antibióticos muito conhecidos e utilizados, como a Penicilina G, Ampicilina, Cefalexina e Amoxilina.

Pipe Line, Cocker Spaniel, fêmea, 5 anos: processo infeccioso causado por Staphylococcus aureus. Não respondia ao tratamento com antibióticos.

Os animais tratados, utilizando-se de vários tipos de antibióticos, e que não apresentam cura, perderam a capacidade de defesa imunológica, tornando-se pacientes crônicos. Apresentam sintomas variados como: emagrecimento, prostração, tremores, febre, dor, inchaço nas patas, fístulas ente os dedos que sangram , ulcerações e pústulas (bolhas de pus) com odor fétido, disseminação de feridas pelo corpo, queda de pelo e descamação da pele.

Como resultado, torna-se impossível a convivência do animal com as pessoas, devido ao odor e secreções. O animal passa a ser segregado, a qualidade de vida é totalmente comprometida, passando por um longo e penoso sofrimento físico e psicológico. A escolha da eutanásia é questionada por parte do Médico-Veterinário e do proprietário do animal, quando todas as tentativas de tratamento fracassam.

Quando tudo que foi tentado não deu resultado, a esperança de cura passa a ser a escolha do tratamento imunoterápico.Tendo como finalidade estimular as defesas do organismo, aumentando os glóbulos brancos (leucócitos) e estimulando a produção de anticorpos, as imunoglobulinas. Podemos escolher vacinas formuladas com várias cepas de bactérias (pool bacteriano padronizado e Parvak), ou optar pela vacinas individuais (bacteria, fungos ou vírus isolados do animal doente).

Pipe Line, quatro meses após o início do tratamento com imunoterapia.

Para a produção da vacina personalizada, é necessário coletar uma amostra de pele e secreções de lesões, com a finalidade de isolar bactérias, fungos ou virus. Após uma série de processos laboratoriais que permitem obter um produto biológico livre de contaminação e totalmente seguro, é adicionado o imunoestimulante Parvak (Propionibacterium parvum).

No geral, as aplicações são feitas semanalmente por um período mínimo de quatro meses. Dependendo da resposta de cada paciente, as próximas aplicações passam a ser quinzenais por mais oito meses. Para o tratamento de manutenção, o paciente recebe a vacina mensalmente por um período indefinido. Como podemos observar, para colhermos os frutos deste tratamento é necessário muito tempo.

O tratamento imunológico pode ser comparado com o desempenho de um atleta, sendo que cada exercício corresponde a uma dose de vacina. Esse tipo de tratamento, na maioria dos animais, apresenta grandes resultados observados a longo prazo, embora alguns demonstrem consideráveis melhoras já nas primeiras semanas de tratamento.