Como entender o comportamento do cachorro

Como entender o comportamento do cachorro

Através dos séculos, os lobos desenvolveram um complexo sistema para se comunicarem, a linguagem corporal. Com certas posturas, expressões faciais e vocalização, eles se comunicam e se entendem. Os cães domésticos herdaram esta prática de comunicação, e, através dela, se comunicam e se entendem também. Não espere por causa disso um comportamento típico dos lobos nos seus cães. Isso apenas reforça a tese de que grande parte do comportamento canino é instintiva, e caçar está nas suas origens.

Ao aprender esta linguagem, observando as posturas e expressões de seu amigo peludo, você estará a um passo de uma melhor comunicação com ele, melhorando ainda mais o seu relacionamento e mais próximo de descobrir e até solucionar problemas comportamentais.

Um dos meus objetivos ao escrever este artigo é conscientizar as pessoas do perigo que uma cauda balançando pode oferecer. Quantas vezes já ouvimos depois de um ataque: “Puxa, mas ele estava balançando o rabinho”. Uma cauda que balança nem sempre é convite para um agrado ou brincadeira. Deve-se tomar cuidado e observar a maneira como o animal está mexendo a cauda e rincipalmente o conjunto, ou seja, seu corpo todo.

A seguir, conheça algumas atitudes e posturas típicas mais detalhadas que surgem antes de cada manifestação e, através da compreensão, seja o melhor amigo do seu cão.

Sinais de agressividade:

– As orelhas ficam postas para trás, sempre próximas da cabeça.
– O corpo fica tenso. Quando o cão quer parecer ameaçador, tenta parecer maior, e o faz com o corpo inteiro. O pelo fica enrijecido no pescoço e ele toma uma posição altamente dominadora.
– A cauda fica aparente para cima ou em continuação ao corpo, nunca para baixo.

Prestes a caçar alguma coisa:

Obs: a caça em questão pode ser um brinquedo, uma comida ou seu chinelo favorito.
– As orelhas ficam em movimento, apontando para a frente.
– Olhos ficam bem abertos, num alerta constante.
– A boca ligeiramente aberta e ofegante.
– Corpo tenso. Agachado numa posição predatória. Pernas curvadas, prontas para correr.
– Cauda reta ao longo do corpo ou um pouco mais acima.

Dominante:

Ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, o cão dominante não é necessariamente o cão fisicamente maior, mas sim o mais justo e que possuiu uma liderança nata. Aquele que briga na hora certa mas recompensa quando tudo anda bem. Não raro encontramos cães pequenos dominando os maiores da mesma casa.

– As orelhas ficam bem eretas ou apontam para a frente.
– A cabeça fica bem alta e, quando perto de outros cães, tenta colocar a sua cabeça sobre a cabeça dos outros. Usa também as patas, colocando-a sobre as costas dos outros cães.
– Os olhos ficam bem abertos com olhar penetrante.
– A boca fechada ou ligeiramente aberta. Dentes à mostra.
– O corpo fica o mais alto possível, com os pelos eriçados.
– A cauda fica colocada o mais alto possível, abanando rigidamente (nesse caso a cauda balança por uma causa não tão nobre).
– O som torna-se um rosnado agressivo ou um grunhido.

Amigável:

– Orelhas relaxadas.
– Olhos bem abertos com olhar alerta, mas não penetrante. Faz contato visual sem desafiar.
– A boca fica relaxada, semi aberta e às vezes dando um “sorriso”.
– O corpo fica na posição normal. Geralmente sacode o corpo todo da cabeça à cauda.
– A cauda fica visível para cima ou ao longo do corpo. Sim, ela balança nessa situação, porém percebe-se perfeitamente que o balançar amigável é gostoso, relaxado, e vai de um lado pro outro o mais aberto possível.
– O som pode ser um lamento ou um latido alto e curto.

Submisso:

– As orelhas ficam abaixadas, quase coladas na cabeça.
– Os olhos ficam quase fechados e evitam o romântico “olhos nos olhos”.
– O corpo fica deitado, aceitando a dominância de outros cães. As patas da frente podem dar soquinhos pedindo carinho e às vezes levanta a parte de trás para brincar. Pode deixar escapar a urina.
– A cauda fica baixa.
– Não emite som nenhum, mas às vezes pode soltar uns grunhidos baixos se tiver medo.

O mais importante é conhecer bem o seu cachorro e, a partir destas dicas, comunicar-se com ele de uma maneira mais eficaz. Lembre-se, é muito mais fácil nós aprendermos e usarmos a linguagem deles do que eles a nossa.

Cada dia mais acho que vale a pena investir nesse relacionamento. Isso significa “pagar micos” no começo, estranhos, mas depois compensadores. Converse com seu cão, agradeça a cada comando respeitado, abra seu coração para ele. Pode até confessar algumas coisas, já que com certeza ele não vai contar pra ninguém, afinal, ele é seu melhor amigo, não?