Auto-mutilação em aves

Auto-mutilação em aves

A auto-mutilação não é uma doença exclusiva das aves, pelo contrário, ela ocorre em outras espécies e normalmente está relacionada com transtornos psicológicos. No homem, por exemplo, ela se manifesta através do hábito de roer unhas; nos cães, a dermatite por lambedura é um bom exemplo de auto-mutilação.

Auto-mutilação é uma doença bastante comum em aves, principalmente nos psitaciformes (araras, papagaios, agapornis, etc.).

Ela se caracteriza, como o próprio nome diz, pelo fato do animal se mutilar, principalmente com o bico, a princípio arrancando as próprias penas e posteriormente retirando pedaços da pele e da musculatura.

A causas da doença são: carências nutricionais, presença de ectoparasitas (piolho), estresse (condições inadequadas de vida, solidão, perda de companheiro de longa data, morte do proprietário, mudança de ambiente, ansiedade, etc.) além de outras causas, bastante discutidas, tais como: frustração sexual e processos alérgicos.

O prognóstico e o tratamento dependem, obviamente, da principal causa envolvida, visto que é uma doença multifatorial. No geral, o prognóstico é de bom a reservado, quando inicia-se o tratamento no começo do processo e de reservado a desfavorável quando animal já esta literalmente comendo pedaços do seu próprio corpo.

Com relação ao tratamento, o protocolo consiste em: correção alimentar e uso de polivitamínico, verificação de ectoparasitas (em caso positivo fazer tratamento; para piolhos, utiliza-se normalmente produtos à base de piretroides), uso de antibiótico de amplo espectro caso ocorram dermatites ou soluções de continuidade na pele, se necessário. O uso de anti-histamínicos também é indicado.

O próximo passo do tratamento é verificar alterações psicológicos que levem o animal ao quadro de estresse, patologia muito comum nas aves e animais silvestres, e de difícil tratamento visto que o estresse é uma doença que está relacionado ao próprio encarceramento do animal.

Outra boa opção seria a colocação de colares elizabetanos (imobilização) no pescoço da ave, dificultando seu acesso às áreas afetadas. Esse colar permanece no pescoço do animal até a cura das feridas e do crescimento das penas, além do uso de medicamentos tópicos (locais) que inibam a auto-mutilação, como por exemplo, a aplicação nas áreas afetadas de extrato de babosa (aloe vera), que por ser bastante amargo inibe o animal de se comer.

A última tentativa de melhora do processo de auto-mutilação, seria a utilização de fármacos psicotrópicos.

Enfim, é uma doença delicada, pois normalmente não tem causa física e sim psicológica. Prevenir ainda é o melhor caminho, por isso o correto é dar uma vida digna, na medida do possível, para a ave encarcerada. Temos que pensar na qualidade de vida destes animais.

Na minha opinião, a auto-mutilação é o melhor exemplo de manifestação física da somatização de transtornos psicológicos que o animal sofre ao longo de sua vida. A qualidade de vida inclui, dentre outras, manejo, alimentação e ambiente corretos para a espécie em questão.