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O mês de janeiro é marcado pela campanha Janeiro Roxo, voltada à conscientização e ao combate à hanseníase. A doença, que tem tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ainda apresenta desafios no Brasil, como diagnóstico tardio, desigualdade regional no acesso aos serviços e dificuldade de adesão ao tratamento.
Dados do Ministério da Saúde, referentes a 2023, indicam que o Brasil está entre os países com maior número de novos casos da doença no mundo. A hanseníase é infecciosa, pode causar incapacidades físicas e exige acompanhamento médico prolongado.
Segundo o médico dermatologista do Hospital Universitário da Universidade Estadual de Maringá (HUM/UEM), Luiz Otávio Rosina, fatores sociais e econômicos também influenciam o controle da doença.
“O preconceito ainda é bastante grande. Muitos pacientes demoram a buscar tratamento por medo do estigma social, o que contribui para o diagnóstico tardio e para a continuidade da transmissão”, afirmou.
Apesar de ser curável, a hanseníase ainda é cercada por desinformação. Para Rosina, mitos históricos dificultam a procura por atendimento e reforçam a importância de ações educativas junto à população.
Outro ponto de atenção é o abandono do tratamento, que pode durar de dois a sete anos. De acordo com o dermatologista, a melhora inicial dos sintomas leva parte dos pacientes a interromper o acompanhamento.
“A falta de apoio social e o desconhecimento da doença acabam contribuindo para o abandono do tratamento”, explicou.
No Hospital Universitário da UEM, não foram registrados atendimentos de hanseníase em 2025. Ainda assim, o médico ressalta que a vigilância deve ser contínua. O Ambulatório de Dermatologia da unidade atua na identificação precoce da doença, a partir de exames clínicos detalhados da pele e dos nervos periféricos.
Após a confirmação do diagnóstico, os casos são comunicados ao Consórcio Público Intermunicipal de Saúde do Setentrião Paranaense (Cisamusep), responsável pelo encaminhamento do paciente aos serviços de referência para tratamento e controle da transmissão.





