Maringá tem mais de 18 mil imóveis residenciais desocupados, aponta IBGE

Compartilhar

Em nível de Brasil, há pouco mais de 11 milhões de imóveis residenciais desocupados, segundo o IBGE | Foto: Ilustrativa/Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quantidade equivale a 10% dos domicílios existentes na cidade atualmente. Taxa de desocupação acompanha a registrada em grandes cidades do Paraná e também a média nacional.

Por Victor Ramalho

Maringá tem pouco mais de 18 mil imóveis residenciais desocupados. A informação consta no Panorama do Censo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na última sexta-feira (23), o órgão carregou a plataforma com dados relacionados aos domicílios brasileiros, resgatados durante a realização do Censo de 2022.

Na Cidade Canção, a quantidade de imóveis desocupados equivale a 10% dos domicílios existentes no município. Conforme o IBGE, Maringá 180.117 municípios, entre casas e apartamentos, com 18.375 estando vazios. De acordo com o Instituto, tratam-se de imóveis que pertencem a particulares.

A taxa de desocupação de imóveis em Maringá acompanha a média registrada em outros grandes municípios do Paraná. Em Londrina, por exemplo, são 247.287 domicílios, com 29.507 (12% do total) desocupados. Na capital Curitiba, a taxa de desocupação é dos mesmos 10% de Maringá: por lá, são 82.879 imóveis desocupados em um universo de 789.846 domicílios.

Em nível estadual, o Paraná tem mais de 5 milhões de imóveis residenciais particulares. Do total, 541.053 estão sem moradores atualmente, cerca de 10,7% do total. No Brasil, a média é semelhante: em pouco mais de 90 milhões de domicílios, 11,4 milhões (ou 12% do total) estão vazios.

Por que há tantos imóveis desocupados?

Para a doutora em Ciências Sociais e professora do Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Celene Tonella, os números do IBGE registrados em Maringá e também a nível de Brasil mostram os efeitos da especulação imobiliária.

Segundo a especialista, comprar imóveis visando a valorização, sem a intenção de morar, segue sendo uma prática comum.

“A existência de tantos imóveis vazios está diretamente ligada a especulação imobiliária. Aqueles que têm recursos normalmente investem em imóveis de alto padrão, como apartamentos, visando a sua valorização, então esses imóveis estão vazios. É um desequilíbrio estrutural do capitalismo brasileiro, com aqueles que estão no topo da pirâmide, muitas vezes, tendo acesso a vários imóveis e aqueles que estão na base, em situação de vulnerabilidade, ficam sem acesso a uma moradia digna”, disse.


Compartilhar

Autor

Notícias Relacionadas