Laudos emitidos após o temporal indicam outras 93 árvores com risco de queda iminente em Maringá

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Foto: Ilustrativa/Arquivo/PMM

Temporal que derrubou mais de 500 árvores completou um mês nessa terça-feira (7). Conforme dados da Secretaria de Limpeza Urbana, mais de 90 laudos de remoção de árvores foram emitidos após o episódio, alguns autorizando pedidos feitos há mais de 10 anos. 

Por Victor Ramalho

Nessa terça-feira (7), completou um mês do temporal que derrubou centenas de árvores, postes de energia e deixou milhares de residências de Maringá sem luz por quase uma semana. Conforme um relatório preliminar divulgado pela Defesa Civil no dia 11 de outubro, quatro dias após o episódio, 562 árvores caíram na cidade, embora as estimativas não oficiais deem conta de ao menos 700 árvores caídas.

E após o temporal, a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Selurb) intensificou a emissão de laudos de remoção de árvores, como é possível observar no Portal da Arborização. A plataforma, que reúne a base de dados de todos os pedidos de remoção de árvores feitos pela população em Maringá, desde aqueles com laudos já emitidos até os que ainda aguardam vistoria, mostra a emissão de 93 laudos classificados como “Emergência” após o dia 7 de outubro.

“Emergência” é a categoria que ocupa o topo da lista de prioridades de remoção, que é dividida em quatro categorias. Conforme descrito pela própria Secretaria de Limpeza Urbana (Selurb), diz respeito a árvores com “risco de queda iminente”. Conforme consultado pelo Maringá Post, haviam 99 árvores com essa classificação até a manhã desta quarta-feira (8).

O município havia zerado a fila de remoção de árvores com laudo de Emergência antes do temporal. No entanto, dentre os 99 pedidos na fila, 67 deles tiveram laudo de remoção emitido entre os dias 11 e 28 de outubro, já após o temporal. Ao todo, foram 71 laudos emitidos em outubro, 26 em novembro e dois em setembro. Quatro dos laudos de outubro foram emitidos nos dias 2 e 3 de outubro, antes do temporal.

Chama a atenção, no entanto, o hiato de tempo entre um pedido ser protocolado – ou seja, do morador pedir a remoção – e o município emitir um laudo, autorizando a retirada da árvore. O pedido que ocupa o topo da lista de prioridades até esta quarta-feira (8), por exemplo, foi protocolado no dia 23 de fevereiro de 2012, há mais de 11 anos. Nele, um morador pede a remoção de uma árvore na Avenida 7 de setembro.

O laudo autorizando a remoção desta árvore, no entanto, só foi emitido nessa terça-feira, 7 de novembro de 2023. No laudo, o engenheiro florestal responsável afirma que a árvore, um exemplar de sibipuruna, “Apresenta a sua copa completamente quebrada, desequilibrada e desestruturada, sofreu recente queda de quatro galhos de médio diâmetro, desestruturando-a completamente” e “apresenta risco iminente de queda da parte remanescente da copa sobre o imóvel”.

Entre os pedidos os 99 pedidos classificados como Emergência, dois deles foram protocolados em 2012, um em 2014, dois em 2015, dois em 2016, seis em 2017, quatro em 2018 e três em 2019. Os demais são de datas posteriores a 2020.

Atualmente, somando todos os pedidos de remoção já com laudo emitido nas quatro categorias, são mais de 4.200 árvores na fila para remoção em Maringá. Em abril, o prefeito Ulisses Maia (PSD) prometeu que a fila seria zerada ainda em 2023. Em agosto, o secretário de Limpeza Urbana, Paulo Gustavo Ribas, afirmou na Câmara que, para esse ano, a pasta zeraria os protocolos de Emergência.

O Maringá Post entrou em contato com a Prefeitura de Maringá, questionando se há algum planejamento especial para zerar os protocolos de Emergência. Até o fechamento deste texto, a reportagem não havia recebido um retorno. O conteúdo será atualizado assim que uma resposta do Executivo for enviada.

A Prefeitura de Maringá se manifestou por meio de nota. Leia na íntegra:

Nas últimas semanas, as equipes da Arborização da Secretaria de Limpeza Urbana (Selurb) estavam concentradas no atendimento às ocorrências relacionadas ao forte temporal que atingiu a cidade no dia 7 de outubro. Os ventos chegaram a 110 km/h, a rajada mais forte já registrada na cidade desde 1976, quando a Estação Meteorológica da Universidade Estadual de Maringá (UEM) começou a operar. O recorde anterior era de 91,8 km/h, registrado em abril do ano passado. As equipes retomam os atendimentos aos protocolos, com prioridade para aqueles classificados como emergência. A Secretaria de Limpeza Urbana (Selurb) informa que trabalha na atualização dos dados de Arborização no Portal da Transparência após o temporal.

Atualizado às 16h16

 


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