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Médica que produzia falsos laudos de câncer usava máquina de xerox, diz delegado

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Perícia concluiu que os documentos apreendidos eram falsos. Defesa diz que não comentará sobre ‘especulações’.


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Por Vitor Germano

O delegado de Polícia Civil Helder Lauria afirmou que os laudos de câncer de pele apresentados aos pacientes pela médica Carolina Fernandes Biscaia Carminatti eram adulterados com a ajuda de uma máquina de xerox.

A prática foi confirmada na perícia final do Instituto de Criminalística do Paraná, que avaliou vários laudos apreendidos do consultório de Caminatti, em Pato Branco-PR.

Os materiais foram encontrados em uma operação em 23 de fevereiro deste ano, que buscava apurar a emissão de laudos falsos e indicação de cirurgias desnecessárias pela profissional.

“Agora temos a certeza de que eram laudos falsos. […] De acordo com a perícia, [os laudos falsos] eram baseados em laudos verdadeiros, fornecidos pelo laboratório responsável, onde na parte do diagnóstico, havia a sobreposição de uma outra folha com diagnóstico falso, e com isso era retirada uma cópia, um xerox, e com isso produzido um novo documento, falsificado”, disse o delegado.

Questionada sobre a perícia, a defesa da médica disse que vai aguardar as conclusões e que não vai “comentar sobre especulações que podem interferir na investigação“.

Até essa terça-feira(2), pelo menos 31 vítimas haviam denunciado a médica. Entre elas está uma paciente, que fez a gravação por precaução de uma consulta com a médica, uma vez que ela teve melanoma, tipo mais grave de câncer de pele, em 2013.

O diagnóstico foi novamente confirmado pela médica, com uso de laudo falso, segundo a paciente. Conforme o delegado, o áudio da consulta “ajuda a comprovar o alegado pela vítima, pois confirma as palavras ditas pela médica”.

Se for comprovada a fraude, a médica pode responder por crimes como estelionato e lesões corporais. As penas podem chegar a 6 anos de prisão. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) disse que abriu uma sindicância para apurar a denúncia de possível desvio ético pela médica.

Nas redes sociais, Carolina se apresenta como dermatologista, especialidade que ela não possui, segundo o CRM-PR. Por anunciar especialidade que não possui, ela já foi punida com censura pública pelo conselho.

Imagem: Rede Social da médica


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