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Natural de Caçador, no interior de Santa Catarina, mas crescida e criada em Curitiba, Cida Borghetti encontrou em Maringá um lugar para chamar de lar. Mesmo distante, a ex-governadora do Paraná sempre lembra, com muito carinho, da Cidade Canção. “É uma cidade que eu tenho um respeito enorme, uma população querida e que me adotou como filha quando cheguei, 37 anos atrás. Eu tenho uma gratidão eterna pelo povo de Maringá”, lembra.
Conhecida em razão da trajetória na vida pública, Cida teve – e ainda tem – uma trajetória no ramo da Comunicação e do Marketing Político, tendo sido sócia-proprietária de agência do setor e produtora do antigo Curitiba VIP, considerado o primeiro talk show da história do Paraná. No entanto, é impossível falar em Cida Borghetti sem citar o passado político.
Deputada estadual entre 2003 e 2011, deputada federal entre 2011 e 2015 e vice-governadora entre 2015 e 2018, ela foi a primeira mulher na história do Paraná a ocupar o cargo de governadora, entre abril de 2018 e janeiro de 2019, após a saída do então governador, Beto Richa (PSDB), para disputar o senado.
Em entrevista ao Maringá Post, Cida falou sobre o percurso até aqui. Segundo ela, mesmo longe dos cargos eletivos há quase oito anos, nunca deixou de contribuir com a vida pública. Ela destacou o pioneirismo na construção de políticas públicas para mulheres, encorajou a participação feminina na política e ponderou: nunca foi feminista.
Pioneirismo e exemplo que vem de casa
Foi ainda na juventude, sob influência dos pais, que Cida Borghetti iniciou na militância política. Em 1985, assinou a primeira ficha de filiação ao já extinto Partido da Frente Liberal (PFL).
“Eu tive a filiação, a minha ficha assinada pelo ex-governador Ney Braga, que nos pediu à época a nossa entrada a partir do movimento dos jovens, dentro da juventude do PDS (Partido Democrático Social), que era liderada pelo meu irmão, hoje o doutor José Roberto Borghetti. Desde a adolescência eu milito ativamente na política, mas desde muito pequena eu escuto as conversas. Como o meu pai tinha um restaurante que era de muita credibilidade, muito antigo aqui na cidade de Curitiba, era um restaurante tradicional, onde muitas vezes eram feitos, naquela época, os banquetes para discutir a boa política, às vezes a gente tinha até autorização de escutar um pouquinho, não era sempre, eu ficava atrás da porta do balcão escutando e eu sempre gostei muito de escutar, de perguntar, sempre fui muito curiosa. Meu ensinamento vem de casa, eu aprendi com os meus pais, que eram militantes políticos e sempre nos deram os melhores exemplos. Eles sempre ajudaram e sempre nos ensinaram a respeitar todas as classes, em especial a classe política, e sempre colaboraram. Eu tenho um legado do meu pai, que ele dizia o seguinte: ‘vocês não podem reclamar de nada, se vocês não estão contentes, vocês vão e façam'”, relembra.
“Nunca fui feminista, mas sempre lutei pela inclusão das mulheres em todos os espaços”
Foi como Chefe do Escritório de Representação do Paraná em Brasília, durante o governo Jaime Lerner, que Cida Borghetti participou ativamente da discussão da implantação da Secretaria Nacional de Políticas Públicas para Mulheres, oficialmente criada pelo Governo Federal em janeiro de 2003. A pauta da participação feminina na política, para ela, está presente há muito tempo, tendo sido incluída no plano de governo para a disputa da Prefeitura de Maringá, ainda em 2000.
Na entrevista, ela afirmou que nunca se considerou “feminista” e que nunca precisou usar o discurso para se valer enquanto defensora da participação feminina. No entanto, a ex-governadora pondera que sempre trabalhou pela inclusão da mulher em todos os espaços. Ainda uma das figuras fortes dentro do Progressistas, um dos partidos que mais têm mulheres em espaços de poder, ela destaca a necessidade de existir mais candidaturas femininas.
“Eu nunca fui feminista, mas eu sempre lutei muito pela participação das mulheres em todos os espaços. Inclusive o meu partido, o Partido Progressista, é talvez um dos partidos que mais apoia candidaturas femininas nós temos uma política muito aberta de capacitação, com cursos dentro do Mulher Progressista, da Fundação Francisco Dornelles, nós temos inúmeras ferramentas para apoiar mulheres. Você nunca vai ver um discurso feminista meu, mas tenha certeza que sou uma das maiores incentivadoras de mulheres na política, pois elas precisam desse espaço. Eu costumo dizer que as mulheres são como aqueles ‘chineses’ que equilibram pratos no palitinho, sempre atentas para não deixar nenhum cair: essa é a mulher, ela dá conta da vida profissional, dos filhos, da casa e também da política. Quando a mulher chega num papel de liderança, ela se sai super bem”, avaliou.
O futuro na vida pública
Cida é apontada, até o momento, como a pré-candidata do Progressistas ao Executivo Estadual. Nos últimos dias, ventilou-se a possibilidade dela ingressar como candidata a vice em uma chapa liderada pelo senador Sergio Moro (União), membro da mesma federação.
A ex-parlamentar, no entanto, citou o empenho dedicado ao ramo empresarial para justificar a falta de interesse de retornar à vida pública, ao menos neste momento.
“Eu continuo na minha batalha e na minha luta. Eu sou empresária, você sabe disso, tenho algumas empresas, sou CEO de várias delas, inclusive uma com sede em São Paulo, de produtos de inovação tecnológica. Então, eu estou focada em um outro ramo. Eu falo que estou sempre à disposição para ajudar, mas não almejo, neste momento, voltar a disputar qualquer cargo público nas próximas eleições. Estarei ajudando, como sempre estive, mas não almejo neste momento (ser candidata)”, declarou.
Na entrevista, Cida afirmou ter orgulho da trajetória construída no Executivo do Paraná. Entre as conquistas, a ex-governadora citou o fato de ter encerrado o exercício deixando mais de R$ 5 bilhões livres no caixa do Estado.
“Eu saí do Governo, mas o Governo nunca sai da gente, porque eu continuo super atuante, atendendo o dia inteiro, seja aí no escritório em Maringá, em Curitiba, onde quer que esteja, ou a convite, viajo praticamente para vários estados, cidades, alguns países, a convite para contar da experiência e da trajetória. Então, eu tenho muita gratidão a tudo isso. […] Tenho orgulho de ter sido uma mulher que chegou ao Governo do Estado do Paraná e que, em dez meses, foi recordista na assinatura de convênios, que foi só superada agora, depois de muitos anos, pela equipe do governador Ratinho, que deixou mais de R$ 5 bilhões em caixa livre, para que o governador Ratinho e sua equipe pudessem continuar administrando bem o Estado do Paraná. Então, assim, não faltam obras em todo o Estado do Paraná que tem a chancela da primeira mulher governadora em toda a sua história”, disse.








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