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A Câmara de Maringá exonerou nessa quinta-feira (6) a então Assessora de Gabinete da Procuradoria da Mulher, Gislaine Gonçalves. Popularmente conhecida como “Mãe Gi”, a servidora ocupa atualmente a presidência do Conselho Municipal de Igualdade Racial e é uma das principais lideranças da cidade em defesa das religiões de matriz africana. A exoneração provocou reações de grupos de apoio, principalmente por ter ocorrido durante o mês da Consciência Negra.
Oficialmente, a Câmara não informou a justificativa do desligamento. Procurado pela reportagem, o legislativo informou que não irá se manifestar sobre o tema.
Mãe Gi foi às redes sociais para falar sobre o tema. Em um vídeo publicado no Instagram nesta sexta (7), ela classificou a exoneração como um “ataque”.
“Como mãe de santo, presidente do COMPIR e ex-presidente do Conselho da Mulher, sempre acreditei que ocupar esse espaço era também abrir caminhos para outras mulheres negras, especialmente em um país onde 62% das mulheres vítimas de feminicídio são negras (Atlas da Violência 2023)”, disse.
Vereadora e Procuradora da Mulher de Maringá, Professora Ana Lúcia (PDT) se manifestou por meio de nota, repudiando o desligamento de Mãe Gi. Conforme o comunicado, a decisão teria sido tomada de forma arbitrária pela presidência do legislativo e sem consulta aos demais membros da Procuradoria, “interrompendo os trabalhos em andamento realizados pela assessora”.
“A decisão que compromete o funcionamento da Procuradoria representa uma clara tentativa de desmonte de uma política pública essencial ao acolhimento e proteção das mulheres vítimas de violência. Reafirmo que a Procuradoria da Mulher criada em 2021 é um órgão institucional, técnico e comprometido com a defesa dos direitos das mulheres maringaenses, que deve ser fortalecido e não enfraquecido”, diz um trecho do comunicado.
O diretório municipal do Partido Democrático Trabalhista (PDT) também repudiou a exoneração. O cargo de assessoria da Procuradoria era de indicação da legenda, definido em comum acordo com os demais partidos ainda no começo do ano, na eleição que havia reconduzido Mário Hossokawa (PP) à presidência da Casa.
A sigla acusa a atual presidência da Câmara de ‘romper’ o acordo pré-estabelecido. “O PDT de Maringá manifesta sua indignação diante da ruptura unilateral do acordo de composição da Mesa Diretora da Câmara Municipal. O rompimento do compromisso firmado entre os partidos representa um desrespeito à lealdade política, à proporcionalidade e ao diálogo que devem pautar a condução do Legislativo”, afirmou, por meio de nota.
Os três vereadores da bancada do PDT na Câmara também assinaram uma nota conjunta repudiando a saída de Gislaine Gonçalves. Na visão dos parlamentares, a exoneração “representa um ato de falta de lealdade política e uma grave quebra de confiança, desrespeitando decisões firmadas coletivamente no início da legislatura”.







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