CPI pede compartilhamento de processos envolvendo Ricardo Barros

26 de agosto de 2021
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A CPI mira na relação de Ricardo Barros com a Precisa Medicamentos / Reprodução

A CPI da Covid acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 25, para pedir o compartilhamento de informações existentes em processos envolvendo o líder do governo Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara, deputado federal Ricardo Barros (PP-PR). O deputado maringaense é investigado pela comissão, já prestou depoimento na condição de testemunha e no momento parece ser o principal alvo da investigação por seu possível envolvimento na compra de vacinas para o Ministério da Saúde.

A CPI está requerendo acesso a dois procedimentos específicos, mas pede também a cópia de “quaisquer outros processos” nos quais o líder do governo apareça como réu. A indicação dos dois processos foi feita após consulta da comissão à Procuradoria-Geral da República (PGR), que registrou a tramitação dos procedimentos sigilosos.

O senador Humberto Costa (PT-PE) diz no requerimento das provas feito à própria CPI, que o acesso a todos os supostos procedimentos, processos e feitos investigativos iniciados contra Barros é “imperioso e imprescindível ao desenrolar da fase instrutória e, obviamente, ao futuro deslinde das investigações”.

 

Um olho na Precisa, outro no deputado

 

Com o pedido de compartilhamento do que diz respeito ao líder do governo, a CPI deixa claro que mira principalmente na relação de Ricardo Barros com a Precisa Medicamento, empresa que parece estar no âmago de um golpe e que representou no Brasil a Covaxin, vacina desenvolvida pelo laboratório indiano Bharat Biotech. Foi o imunizante mais caro a ter contrato fechado com o Ministério da Saúde, ao custo de 15 dólares a dose. O negócio acabou suspenso pela pasta após o caso ter entrado no radar da CPI.

Ocorre que um dos sócios da Precisa é a empresa Global que, quando Barros foi ministro da Saúde no governo do ex-presidente Michel Temer (2016 a 2018), firmou com o ministério negócio para fornecimento de medicamentos, mas recebeu pagamento adiantado e não forneceu os medicamentos que deveria. Em razão disso, Ricardo Barros tem um processo por improbidade administrativa na Justiça Federal.