Júri popular na Justiça Federal de Maringá é o primeiro da história. Caso Sevilha leva três ao banco dos réus

Por: - 18 de agosto de 2019
Sede da Justiça Federal de Maringá na esquina das avenidas Duque de Caxias e XV de Novembro / Angelo Rigon

Pela primeira vez na história, desde a instalação da Seção Judiciária Federal na cidade há 26 anos, vai ser realizado um júri popular na Justiça Federal de Maringá. No banco dos réus, vão estar três dos cinco acusados da execução, em setembro de 2005, do auditor-fiscal da Receita Federal, José Antônio Sevilha, 43 anos.

Casado e pai de três filhos, Sevilha foi executado em uma emboscada, em frente à casa da mãe, quando saía para buscar a esposa no hospital, após uma cirurgia. Quando ele parou para ver o pneu do carro, que estava murcho, foi atingido por cinco tiros. O pneu esvaziado fazia parte do plano, segundo a Polícia Federal, para a execução do auditor.

Vão sentar no banco dos réus do primeiro júri popular da Justiça Federal de Maringá o empresário Marcos Gottlieb, proprietário da Gemini Brinquedos e acusado de ser o mandante do crime, Fernando Ranea, que teria sido contratado para matar, e Moacyr Macêdo, que teria feito o elo entre os dois.

Gottlieb se encontra preso preventivamente desde maio de 2019 por determinação da Justiça Federal de Maringá. Os outros dois acusados responde ao processo por homicídio qualificado em liberdade. Haveria outros dois envolvidos, mas um deles nunca foi localizado e o outro morreu na prisão, em cumprimento de pena por outro crime, de envolvimento em caso de sequestro.

O empresário apontado como mandante chegou a ser preso em 2006, um ano após o crime, como mostram estas reportagem da Folha de S. Paulo e do Jornal Hoje.

O crime, segundo as investigações da Polícia Federal de Maringá, foi motivado por represália ao trabalho do auditor-fiscal como chefe da Seção de Controle Aduaneiro da Receita Federal em Maringá.

Conhecido pelo rigor no combate a fraudes em importações, Sevilha investigava a empresa Gemini, uma das maiores importadoras de brinquedos do país, com matriz em Maringá e filiais em Barueri (SP).

Naquele ano, a Gemini chegou a ser interditada pela Receita Federal e foi multada em R$ 100 milhões, sob acusação de sonegar impostos. Documentos recolhidos demonstraram que os produtos importados tinham preços subfaturados em um terço do valor real.

A empresa de propriedade do empresário Marcos Gottlieb importava brinquedos eletrônicos para várias redes de varejo e principais lojas de brinquedos do País e era uma das maiores fornecedoras de produtos da marca Disney.

A investigação terminou em 2007 e o delegado da Polícia Federal responsável pelo inquérito, Ronaldo Carrer, é uma das principais testemunhas de acusação. Outras testemunhas têm o nome mantido em sigilo. O júri popular na Justiça Federal de Maringá vai ser realizado na terça-feira (20/8) no Tribunal do Júri.

A Direção Executiva Nacional do Sindifisco, Sindicato dos Auditores-Fiscais da Receita Federal, tem garantido suporte jurídico à família do auditor-fiscal e vai estar presente na audiência.

Em nota divulgada na internet, o Sindifisco espera que, após 14 anos “a justiça seja finalmente feita e os responsáveis por esse crime bárbaro sejam exemplarmente punidos”.

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