Após anúncio de intervenção no diretório do MDB em Maringá, Crispim chama João Arruda de despreparado

31 de janeiro de 2019
Ex-secretário municipal de Meio Ambiente, Umberto Crispim é presidente do MDB em Maringá / Prefeitura de Maringá

A executiva estadual do MDB decidiu na segunda-feira (28/1) intervir e destituir a atual diretoria do partido em Maringá, comandada pelo ex-secretário municipal de Meio Ambiente Umberto Crispim. A nomeação de uma comissão provisória, que deve chamar uma nova convenção e eleger o próximo diretório, vai ocorrer dentro de 20 dias.

A decisão de intervir no diretório do MDB em Maringá segue o projeto da executiva estadual de reestruturar todos diretórios, a começar pelas cidades maiores como é o caso de Ponta Grossa, Londrina e Curitiba. O objetivo é ter candidatos próprios a prefeito e vereador nestas cidades.

O presidente estadual do MDB, deputado João Arruda, acusa a atual direção do partido em Maringá de fazer campanha aberta para a ex-governadora Cida Borghetti (PP) na disputa ao Governo do Paraná, sendo que ele era o candidato próprio do MDB. “Infelizmente, a atual direção feriu o estatuto do MDB por conta da infidelidade e o partido está tendo fraco desempenho eleitoral desde 2012. Em 2016, sequer elegeu um vereador”, disse.

As declarações de Arruda e a decisão da executiva estadual em destituir a diretoria do MDB em Maringá causou um desgaste interno dentro do partido, segundo o presidente da sigla na cidade, Umberto Crispim.

Ele confirmou que o MDB fez campanha para Cida Borghetti em Maringá, já que o partido estava ligado com o PP desde a eleição de Carlos Roberto Pupin (PP) para prefeito da cidade. Na ocasião, o MDB emplacou o vice Cláudio Ferdinandi na chapa em 2012.

“É fácil você querer usar da força e do privilégio de ser presidente para tripudiar em cima dos diretórios do interior. Sempre trabalhamos para a campanha do MDB, mas como não tínhamos candidato para o governo três meses antes da eleição, a gente assumiu um compromisso e ficava difícil desfazer”, disse ele se referindo ao apoio a Cida Borghetti.

Para Crispim, a decisão da executiva estadual do partido não foi justa. Segundo ele, a infidelidade partidária também ocorreu no diretório estadual que não teria apoiado o candidato Henrique Meirelles (MBD) à presidência da república. “Eu tenho fotos aqui na minha mão do [Senador Roberto] Requião fazendo comício com o Ciro Gomes (PDT) e com o Haddad (PT). Se isso não for infidelidade partidária, não sei o que é fidelidade então”.

Umberto Crispim também reconheceu que o partido não vem apresentando bom desempenho nas últimas eleições em Maringá, mas afirmou que os resultados negativos do MDB também tem se repetido em outras cidades do Paraná. O ex-secretário municipal disse que aguarda a notificação da executiva estadual do partido para decidir quais serão os próximos passos.

“Acho que o diálogo tem que ser a primeira coisa que o partido tem que ter. Primeiro vamos lutar até onde der e depois vamos analisar outras questões, mas por enquanto é luta”, disse o presidente do partido que não descartou a possibilidade de “usar a força da lei” para reverter a decisão.

Ele também criticou a decisão da executiva estadual do partido de vender a sede do MDB em Curitiba e a atuação do presidente estadual do partido, o deputado João Arruda. “O MDB de Maringá sempre usou o diálogo, mas o dirigente máximo do partido está um pouco despreparado, na minha concepção. Isso não é postura de um partido que na última eleição só elegeu deputado por causa de coligação”, disse.