Ricardinho do vôlei tem os bens bloqueados pela Justiça, por suspeita de desvios de recursos da Prefeitura de Maringá

Por: - 18 de dezembro de 2018

A pedido do Ministério Público de Maringá, a 2ª Vara de Justiça da Fazenda Pública bloqueou os bens de ex-jogador Ricardinho do vôlei, da sua sogra Carmem Giraldes Panza, do advogado Rogério Leandro Rodrigues e do Maringá Vôlei. O promotor Leonardo Vilhena disse que dos R$ 900 mil repassados pela Prefeitura de Maringá em 2014, só foi prestado conta de R$ 204 mil.

Os recursos foram liberados durante a gestão do ex-prefeito Roberto Pupin (PP), para a promoção de dois eventos de vôlei, um nacional e outro internacional – esse com as seleções brasileira e polonesa. Vilhena disse que há três anos aguardava, inutilmente, que o Copel Telecom Maringá Vôlei fizesse a prestação de contas.

O dinheiro foi liberado para a Confederação Brasileira de Volêi que, segundo o promotor, transferiu responsabilidade de organizar os eventos ao Maringá Vôlei. O primeiro repasse, de R$ 500.298,55, foi feito à toque de caixa. No dia 27 de maio de 2014, a inexigibilidade de licitação foi publicada, homologada, empenhada e paga em espécie.

O meio milhão de reais foi para a promoção da primeira etapa do World League – Liga Mundial de Vôlei Masculino 2014, realizada nos dias 29 e 30 de maio, no Ginásio de Esportes Chico Neto. Antes desse evento, em janeiro do mesmo ano e no mesmo ginásio, foi realizada a Copa Brasil de Vôlei 2014, masculino e feminino.

Para a Copa Brasil foram repassados, também por inexigibilidade de licitação, R$ 400.391,30 para a Confederação Nacional de Vôlei. Os recursos foram transferidos para o Maringá Vôlei organizar o evento. As competições femininas ocorreram nos dias 16, 17 e 18 de janeiro e as masculinas nos dias 23 e 25 seguintes.

Nesse caso, o ritmo do toque de caixa no processo de liberação financeira foi um dia mais lento. A  inexigibilidade foi publicada no Portal da Transparência no dia 15 de janeiro, um dia antes do início dos jogos femininos. A homologação saiu no dia 16 e no mesmo dia foram feitos o empenho e o pagamento. No total, saíram dos cofres da prefeitura R$ 900.689,85.

O Ministério Público pede o bloqueio de R$ 880 mil. Durante as investigações, teria sido constatado que parte do dinheiro, R$ 500,2 mil, foi sacado em espécie pelo advogado Rogério Rodrigues, então contador do Maringá Vôlei.  Cerca de R$ 250 mil teriam ido para as contas de Ricardinho e da sogra dele.

O promotor disse que foram bloqueados quatro veículos e as contas bancárias dos quatro envolvidos. Leonardo Vilhena não descartou o bloqueio de imóveis. As contas bancárias de Ricardo e do Maringá Vôlei, bloqueadas pelo Banco Central, estavam apenas com alguns trocados.

Maringá Vôlei e Ricardinho divulgam nota

No final da tarde desta terça-feira (18/12), por meio de nota, a assessoria de imprensa do ex-jogador e do Maringá Vôlei se manifestou sobre o episódio. O texto segue abaixo na íntegra.

“A Assessoria de Imprensa do Maringá Vôlei e do Ricardinho informou, por meio de nota, que o questionamento do Ministério Público não se trata de atividades cotidianas desenvolvidas pela associação e pelo Ricardinho, mas sim de dois eventos isolados realizados em 2014 – Copa Brasil e Liga Mundial. Esclarece ainda que o Maringá Vôlei não fez qualquer contratação com a Prefeitura de Maringá e sim com a CBV – Confederação Brasileira de Voleibol, única detentora dos direitos de promover jogos da Copa Brasil e Seleção Brasileira. É importante ressaltar que todos os serviços contratados foram realizados e que as devidas prestações de contas foram feitas para a CBV. Inclusive esses eventos muito contribuíram com a economia, incentivando o esporte e o turismo. Os amistosos foram feitos exatamente nos mesmos moldes que são feitos todos os anos nos diversos municípios do Brasil. Esclarece também que em nenhum momento o Maringá Vôlei, Ricardo Bermudez Garcia e Maria do Carmo Panza receberam notificação judicial para prestar contas dos eventos. No entanto, eles declaram, nesta oportunidade, que estão à disposição da Justiça para que os fatos sejam esclarecidos. Por fim, Ricardinho ressalta que tudo foi feito na mais absoluta lisura, como será apurado”.

  • A reportagem foi atualizada às 17h10 desta terça-feira (18/12) com a nota divulgada pelo jogador Ricardinho e pelo Maringá Vôlei. 

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