MBL de Maringá cria petição eletrônica contra as cotas raciais na Universidade Estadual de Maringá. São 195 assinaturas até o final da tarde desta quarta

Por: - 18 de julho de 2018
Imagem ilustrativa / www.cenbrasil.org.br

O Movimento Brasil Livre (MBL) de Maringá criou uma petição eletrônica contra as cotas raciais na Universidade Estadual de Maringá (UEM).

O documento foi criado, segundo o MBL, após o reitor Mauro Baesso garantir que vai fazer todos os “encaminhamentos necessários” para que a concessão de cotas raciais volte a ser debatida na instituição.

“Como nosso movimento é contra as cotas raciais, tivemos a ideia da petição online para criar o debate em cima disso. E percebemos que bastante pessoas discordam da iniciativa”, afirma o coordenador do MBL de Maringá, Arthur Oliynik.

Até as 18 horas desta quarta-feira (18/7), a petição havia sido assinada por 195 pessoas. Oliynki defende que a implantação de cotas sociais dá força ao racismo.

“Não podemos aceitar que classifiquem ou dividam negros e brancos por acharem que negros são inferiores e precisam de cotas. Isso sim é racismo”, defendeu.

O mesmo discurso é usado como base na própria petição e em textos divulgados pelo MBL de Maringá em redes sociais como o Facebook.

Além da divulgação na internet, o MBL diz estar preparado para defender a bandeira contra as cotas raciais, caso o seja mesmo encaminhado pelo reitor da UEM para a discussão nos conselhos superiores da instituição.

“Criamos a petição por clamor de estudantes de dentro e de fora da UEM. O nosso movimento pretende realizar manifestações internas e externas sobre o tema”, diz.

A UEM conta atualmente com cotas sociais, que garante vagas específicas a estudantes que cursaram o Ensino Fundamental e Médio em escolas estaduais. “As cotas sociais são algo importante e não uma forma de discriminação, como as raciais são.”

Veja o texto da petição eletrônica contra as cotas raciais

Leia abaixo o texto na íntegra publicado pelo MBL na petição eletrônica contra as cotas raciais na Universidade Estadual de Maringá (UEM).

“Dividir a população por cor da pele é atitude de Estado fascista. Escolher vencedores e perdedores por causa dessa característica importa menosprezar a igual dignidade de que todo ser humano é portador. Não adianta dizer que se trata de uma discriminação positiva, que não busca fazer o mal a uma minoria, mas beneficiá-la. O pressuposto é falso, e a consequência piorará o que se busca corrigir.

Movimentos coordenados da esquerda querem instituir cotas para candidatos negros no vestibular da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Alegam que os negros têm maiores dificuldades para competir no vestibular e, por conta disso, deveriam receber o benefício como forma de compensação. Nós somos contrários à instituição da cotas raciais na universidade. Existe racismo no Brasil e em Maringá? É claro que sim, e ele deve ser combatido incessantemente, com a prisão dos responsáveis, inclusive. Mas combatê-lo da forma proposta gerará ressentimento, aumentando o… próprio racismo.

É inaceitável afirmar que um negro, pelo simples fato de ser negro, não dispõe da mesma capacidade de estudar ou aprender que um branco. Isso não tem qualquer comprovação histórica ou científica. É verdade que condições financeiras e sociais podem impactar na disputa pela vaga em uma instituição de ensino – e as cotas sociais têm justamente esse pressuposto –, mas a cor da pele, não.

Outro argumento comum entre os defensores das cotas é que a medida seria uma espécie de reparação histórica ao nosso (vergonhoso, aliás) passado escravocrata. Mais uma vez, o argumento não convence. Todos os senhores de escravos que o Brasil já teve estão irrevogavelmente mortos e não é justo que sejam representados nessa espécie de processo de expiação do passado. Em um Estado de Direito, não há pena sem crime, e a pena não pode passar da pessoa do condenado. A esmagadora maioria da população brasileira não é racista e não tem por que se culpar pelo que não fez – e pelo que não faz. Da mesma forma, nossos jovens negros nasceram há mais de um século do fim da escravidão.

Reconhecemos o trabalho e as boas intenções de gente séria que defende as cotas raciais na UEM (embora também haja quem, mais uma vez, busque fazer de uma minoria um ativo eleitoral), mas repelimos com vigor essa iniciativa.

Buscamos uma sociedade livre e sem discriminação. Somos um país multifacetado, de múltiplas ascendências e cores. Somos miscigenados, e nos orgulhamos muito disso. Não nos dividam. Somos contra o racismo. Somos contra as cotas raciais na UEM.”

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